A combinação de genética, nutrição, gestão das pastagens e sanidade animal está a permitir produzir mais carne e leite em menos espaço, com abate mais precoce e rebanhos mais eficientes — e o ritmo desta mudança acelerou de forma clara nos últimos anos.
O Brasil ocupa um lugar de destaque na produção mundial de proteína animal, e boa parte dessa trajectória passa pela investigação conduzida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, em áreas como nutrição, pastagens, conservação de forragens, reprodução, genética e sistemas de produção. Ainda assim, o uso do solo revela uma diferença considerável entre o potencial disponível e aquilo que se colhe hoje. Segundo o Jornal da USP, a incorporação das tecnologias já existentes pode elevar significativamente a produção sem exigir uma expansão proporcional das áreas ocupadas.
Flávio Augusto Portela Santos, professor titular do Departamento de Zootecnia da Esalq, acompanhou boa parte dessas transformações. Trinta anos de evolução? Foram os últimos cinco ou seis que mais pesaram. «Apesar de toda a evolução dos últimos 30 anos, se olharmos para os últimos cinco ou seis, veremos um processo de aceleração muito grande na aplicação de tecnologia», afirma o docente.
A previsão para as próximas décadas é ambiciosa. «Daqui a 25 anos, a produção e a produtividade da pecuária brasileira serão impressionantes», sustenta. O investigador acrescenta que o potencial do país para produzir em grande escala, com eficiência, sustentabilidade, qualidade e custo competitivo, não encontra paralelo noutras nações.
Nada disto, porém, se separa da sustentabilidade. O avanço produtivo tem de caminhar a par da redução das emissões, do melhor aproveitamento dos recursos naturais, do bem-estar animal e da qualidade dos alimentos. Sistemas mais eficientes tendem, aliás, a gerar mais carne ou leite gastando menos terra, água e recursos por unidade produzida. A esta lógica junta-se uma exigência crescente dos consumidores e dos mercados internacionais, que pedem provas sobre a origem dos alimentos, as condições de criação dos animais e o impacto ambiental de toda a cadeia.


