Há dinheiro à espera de quem cria. O Ministério da Cultura mantém em aberto vários apoios financeiros dirigidos a autores, galerias, museus e associações, com dotações que vão de dois mil e quinhentos euros a 25 mil por projecto e prazos escalonados entre meados de setembro e novembro. Muitos exigem apenas residência no Grão-Ducado — o que coloca estas candidaturas ao alcance de criadores da comunidade lusófona.
O apoio mais próximo dos autores é o subsídio à publicação de uma criação literária, cuja segunda sessão do ano encerra a 15 de setembro. Podem candidatar-se autores e ilustradores profissionais de nacionalidade luxemburguesa, residentes no país ou com forte enraizamento cultural no Grão-Ducado, que tenham publicado uma obra nos últimos doze meses, com uma tiragem mínima de 100 exemplares, em luxemburguês, francês, alemão e/ou inglês. A dotação anual é de 60 mil euros, repartida por duas sessões, e cada apoio não ultrapassa, em regra, os 2.500 euros. Um pormenor revela o tempo em que vivemos: ficam de fora os textos gerados, no todo ou em parte, por inteligência artificial.
As galerias de arte têm o seu próprio concurso. Até 13 de setembro, as galerias privadas profissionais com sede no Luxemburgo e pelo menos três anos de actividade podem pedir comparticipação para editar um catálogo de exposição, um livro de artista ou uma monografia dedicada a um artista contemporâneo luxemburguês ou residente no país. O montante global é de 45 mil euros e cada subsídio pode chegar aos 15 mil. Exige-se uma tiragem de, no mínimo, 300 exemplares e distribuição em rede profissional.
Para os museus, o prazo é 30 de setembro. A ajuda à realização de projectos destina-se a instituições museais e a sítios culturais de vocação turística constituídos como associações sem fins lucrativos ou fundações, com um espaço permanente aberto ao público no Luxemburgo. Financia estudos conceptuais, a renovação ou criação de museografias e projectos ligados a exposições temporárias. A dotação é de 200 mil euros e o apoio máximo por projecto ascende a 25 mil.
Um dos apoios sai das salas de exposição e entra nas prisões. O programa Kultur am Prisong, lançado em conjunto pelos ministérios da Cultura e da Justiça e pela administração penitenciária, financia projectos culturais no centro penitenciário de Luxemburgo, em Schrassig, e no de Givenich. Dança, teatro, música, artes visuais, literatura ou audiovisual: as candidaturas, reservadas a associações, decorrem até 15 de novembro, com uma dotação de 30 mil euros e um tecto de 10 mil por projecto. O ministério pede atenção especial aos públicos menos abrangidos por esta oferta, como as mulheres e as pessoas idosas detidas, e apresenta a cultura atrás das grades como um direito e como uma ferramenta contra a inactividade.
E há uma porta que está sempre aberta. Nos Anexos do Castelo de Bourglinster, uma sala polivalente de cerca de 100 metros quadrados — o Open Space — pode ser cedida gratuitamente a artistas, colectivos e associações do sector cultural, bastando apresentar o pedido cerca de duas semanas antes da data pretendida.
Nem tudo, porém, continua a tempo. O concurso literário nacional, dedicado este ano à poesia, fechou a 30 de junho, e o apoio à publicação de obras culturais de não-ficção encerrou a 8 de julho. Já as Jornadas Europeias do Património, cujas inscrições terminaram em maio, prometem regressar de 16 a 18 de outubro sob o tema «Património em perigo: reavivar, resistir, reinventar» — três dias de visitas, oficinas e conferências que valerá a pena marcar na agenda.


