O furto de um automóvel estacionado à entrada de uma garagem, durante a madrugada, voltou a expor a vulnerabilidade dos sistemas de abertura sem chave. Os comandos encontravam-se no interior da habitação. Foram os próprios moradores que se aperceberam do sucedido, ao ouvirem o motor a trabalhar e a viatura a arrancar — já sem hipótese de intervir.
A ocorrência foi comunicada às autoridades e, de acordo com a Polícia Grã-Ducal, as primeiras diligências apontam para esse cenário: chave guardada dentro de casa, carro parado na entrada, desaparecimento em segundos. Foi accionada de imediato uma operação de busca, que não produziu resultados. O inquérito prossegue.
Como é isto possível, se ninguém tocou na chave? A explicação está no próprio sistema. Os dispositivos keyless-go emitem um sinal de rádio permanente que pode ser captado por indivíduos munidos de equipamento técnico, amplificado e retransmitido até junto do veículo. O carro interpreta esse sinal como legítimo. Abre-se e arranca, ainda que o comando esteja pousado numa mesa da sala.
Perante este tipo de ocorrências, a Polícia Grã-Ducal recomenda que a viatura seja recolhida, sempre que possível, a uma garagem fechada, evitando o estacionamento imediatamente em frente à casa. Os sistemas de alarme e de segurança de que o automóvel disponha devem estar activados. Quanto ao comando, a orientação é clara: não o deixar perto de portas de entrada, portas de garagem ou janelas, precisamente os pontos onde o sinal é mais facilmente interceptado a partir do exterior.
Existe ainda uma medida de protecção acessível a qualquer proprietário. Guardar a chave num estojo especialmente blindado, concebido para bloquear a transmissão de ondas de rádio, corta o problema na origem. Convém também prestar atenção a objectos deixados nas imediações do veículo — sacos, caixas de cartão, malas — que podem dissimular o material técnico utilizado neste tipo de furtos.


