O Ministério da Economia abriu um novo concurso público para apoiar empresas que invistam em instalações fotovoltaicas e soluções de armazenamento de energia. O orçamento ascende a dez milhões de euros, distribuídos por três lotes que cobrem desde pequenas unidades de 30 kWc até instalações de três mil kWc, com especial atenção aos projectos que integram baterias.
O anterior concurso, encerrado em Abril, serviu de termómetro. Das vinte e uma candidaturas recebidas, dezasseis projectos foram aprovados, representando uma potência instalada de 1.934 MWc e um montante total de apoio de 1,1 milhão de euros. A taxa de sucesso — mais de três quartos das propostas — indica uma procura madura e projectos bem preparados. O novo concurso mantém a lógica, mas expande o leque: abrange não apenas coberturas de edifícios e terrenos de zonas de actividades económicas, mas também instalações «inovadoras» com módulos leves ou em fachada, e ombrière de estacionamento.
A aposta nas baterias é o elemento diferenciador. Os projectos com armazenamento beneficiam de um apoio reforçado, reflectindo a convicção governamental de que a flexibilidade da rede eléctrica é tão importante quanto a produção. Sem armazenamento, a electricidade solar produzida ao meio-dia desperdiça-se quando a procura é baixa; com baterias, pode ser consumida à noite, quando os painéis estão inactivos. É uma transição de mentalidade: de produzir energia verde para gerir energia de forma inteligente.
O ministro da Economia, Lex Delles, sublinhou que o objectivo vai «além da instalação de novas capacidades». A resiliência do sistema eléctrico, a optimização da flexibilidade e a eficiência da rede são prioridades que o concurso procura endereçar. As pequenas e médias empresas são um alvo explícito — o concurso anterior já as tinha atraído, e o governo quer consolidar essa tendência.
As empresas interessadas têm até finais de Setembro para apresentar candidaturas. O caderno de encargos está disponível no Guichet.lu. A atribuição das ajudas segue o princípio da concorrência, com critérios definidos no caderno de encargos. Não é um subsídio automático: os projectos serão avaliados e hierarquizados.
Para a comunidade empresarial lusófona em Luxemburgo, o concurso representa uma oportunidade concreta. Muitos pequenos empresários portugueses operam no sector da construção, da restauração ou dos serviços, com instalações que poderiam acolher painéis solares. A barreira inicial — o investimento — é precisamente o que o concurso procura reduzir. A integração de baterias, embora mais cara, pode traduzir-se em poupanças energéticas significativas a médio prazo.
O Luxemburgo tem vindo a acelerar a transição energética. Os concursos fotovoltaicos sucedem-se com regularidade, o que sugere uma política de continuidade e não de improviso. Dez milhões de euros para um único concurso empresarial é um montante significativo para a dimensão do Grão-Ducado. A pergunta que se coloca é se a procura acompanhará a oferta — ou se, pelo contrário, o tecto de candidaturas de qualidade se manterá abaixo das expectativas.


