A fusão de sonoridades tradicionais cabo-verdianas com influências modernas marca «Livre», o segundo álbum do cantor maiense Gerson Spencer, que será apresentado este sábado, dia 11, no Auditório Nacional Jorge Barbosa, na Cidade da Praia. Depois da estreia com «Voz na Fundo», o artista regressa ao mercado musical com um trabalho composto por oito faixas — «Livre», «Amam», «Inexplicável», «Nha Terra Djarmai», «Ana», «Patroa di Nhas Sentimentos», «Tudu ta Muda» e «Cherie» — que cruzam o português com a língua cabo-verdiana.
Em entrevista ao Expresso das Ilhas, o cantor explicou que o disco segue a linha do primeiro, mas com novos elementos. «Tem uma morna, uma coladeira, colazouk, que é uma música que fiz para a minha terra, a ilha do Maio. Tem batuque. O disco é composto por oito faixas musicais. E tenho duas músicas mais direccionadas para a malta jovem», relatou. Ao contrário do álbum de estreia, financiado pelo produtor Silvano Spencer, este segundo projecto foi custeado pelo próprio artista. «Financiei o meu álbum para poder ter o controlo das minhas coisas, mas também para desafiar a minha cabeça, para aprender como é que as coisas funcionam. Gosto de desafios, acredito que com o sacrifício vou ganhar mais experiência. Foi uma experiência muito positiva, porque durante três anos vi que, às vezes, as coisas não davam certo e tive de me adaptar. Foi muito esforço», contou.
O título do disco reflecte o estado de espírito do músico, que afirma sentir-se livre enquanto artista e ser humano. «Até na letra da música que emprestou o nome ao disco, se fores ouvir, vais perceber o que quero dizer com isso. Estou a sentir-me livre como artista. É mais cansativo, mas estou a aprender muitas coisas e estou a entrar numa nova fase artística», sublinhou, garantindo ser hoje um artista mais experiente, confiante e maduro: «Então valeu a pena este álbum ‘Livre’, que está a ser bem aceite».
A digressão de lançamento deverá percorrer todo o arquipélago. Radicado actualmente em Portugal, Gerson Spencer regressou a Cabo Verde com a intenção de apresentar o novo trabalho em todas as ilhas. «Estamos a começar aqui na Cidade da Praia, depois vamos para São Vicente, Sal, Santo Antão e o último lançamento quero fazer na minha ilha, Maio, porque quero fazer algo muito especial também», garantiu ao mesmo jornal. Actuar no Auditório Nacional Jorge Barbosa era, aliás, um desejo antigo: «Já fiz shows nos festivais e em outros lugares, mas aquela forma de espectáculo no Auditório Nacional, com pessoas sentadas a apreciar e, de preferência, com os meus fãs presentes, é algo que há muito sonhava».
O concerto de sábado contará com a participação dos artistas convidados Voz di Magua, Marinu e Nha di Filipa, e incluirá, além dos temas de «Livre», músicas do primeiro álbum, «Voz na Fundo», o mais conhecido do cantor. Focado a cem por cento na actuação, o artista deixou uma promessa ao público: «Espero que aquele dia seja uma noite especial, que as pessoas saiam de lá com o coração e os ouvidos cheios de coisas boas».


