A cultura teatral chinesa voltou a colocar Macau no centro de um percurso artístico que atravessou a Grande Baía, com a chegada à cidade da etapa final de um festival que reuniu dez produções de quatro cidades. Ao longo de cerca de três meses, espectáculos de géneros tão diversos como a ópera yue, o luantan de Taizhou, a ópera cantonense, o teatro falado, o teatro infantil e o teatro musical compuseram um circuito que fez de Macau o ponto de chegada de uma das mais relevantes iniciativas de intercâmbio cénico da região, sublinhando o papel do território como plataforma de cooperação cultural.
A cerimónia de abertura da etapa de Macau do VI Festival de Cultura Teatral da Grande Baía decorreu no Centro Cultural de Macau. Iniciado em abril em Hong Kong, o festival passou ainda por Shenzhen e Guangzhou antes de encerrar no território, num modelo de articulação entre quatro cidades. A iniciativa é co-organizada pela Associação de Dramaturgos da China, pelo Instituto Cultural de Macau, pela Autoridade do Distrito Cultural de West Kowloon, de Hong Kong, e pela Federação Literária e Artística de Guangdong, sob a orientação da Federação das Artes e Literatura da China e da Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura da RAEM. Estiveram presentes na sessão inaugural representantes dos meios culturais do interior da China, de Hong Kong e de Macau.
No seu discurso, a presidente do Instituto Cultural, Leong Wai Man, recordou que o festival nasceu em Macau em 2020 e se foi afirmando como um elo decisivo do intercâmbio artístico na Grande Baía. Segundo a responsável, a iniciativa evidencia o posicionamento singular do território enquanto «base de intercâmbio e cooperação que tem a cultura chinesa como corrente principal e onde coexistem culturas diversas», alimentando uma colaboração cada vez mais estreita entre os meios artísticos da região.
O vice-secretário-geral da Associação de Dramaturgos da China, Liu Bing, reafirmou o apoio continuado da entidade ao desenvolvimento de um teatro de qualidade em Macau e na Grande Baía. Destacou que esta edição introduziu pela primeira vez uma etapa em Shenzhen, consolidando um modelo de «festival em várias cidades» que abrange Hong Kong, Shenzhen, Guangzhou e Macau, e que traduz, no seu entender, os resultados do desenvolvimento cultural conjunto da região.
O espectáculo inaugural da etapa de Macau foi «Mingtang Yexue», um drama original da companhia pequinesa Huaju Jiuren, em cena de 25 a 27 de junho no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau. Integrado também no 36.º Festival de Artes de Macau, a peça toma como âncora quatro noites de neve marcantes na vida de Wu Zetian, dando a ver a sua ambição e força, mas igualmente as suas dúvidas e os seus conflitos interiores, sem nunca apagar a afirmação de uma identidade própria.
A programação de Macau contou ainda com produções de companhias de Xangai e de Taiwan, com destaque para o teatro musical «Jianzi Rumian» e para o musical original «Nora». O primeiro cruza quatro tradições vocais chinesas — jing, kun, yue e huai — com a sonoridade da guitarra clássica, valendo-se de uma antiga carta que atravessa 86 anos para ligar o laço afectivo de duas gerações. O segundo, inspirado na obra clássica de Ibsen «Casa de Bonecas», abre com um «leilão de bonecas» que simboliza a forma como a sociedade molda a mulher num produto perfeito, abordando os valores de obediência, docilidade e sacrifício que lhe são incutidos. A 28 de junho, às 10h00, o festival promove ainda um diálogo entre jovens criadores teatrais das duas margens do Estreito e das regiões de Hong Kong e Macau, dedicado à criação cénica, à formação de novos talentos e ao futuro do teatro na Grande Baía. De acordo com o Instituto Cultural de Macau, os bilhetes para «Mingtang Yexue» estão à venda na plataforma 享澳門 (Enjoy Macao), enquanto «Jianzi Rumian» e «Nora» são comercializados através da Bilheteira de Macau.


