O desmentido de uma alegada tentativa de suborno aos seus enviados militares acabou por marcar o balanço da mais recente missão de avaliação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na Guiné-Bissau, num episódio que se sobrepôs aos resultados operacionais que a própria organização classificou como bem-sucedidos.
A deslocação de uma delegação de chefes de Estado-Maior da Defesa do bloco regional teve como objectivo aferir a implementação do mandato revisto da Missão de Apoio à Estabilização no país. Segundo a Deutsche Welle, o comunicado oficial que dá conta das conclusões foi divulgado a 25 de junho e, embora faça um balanço positivo do trabalho do contingente destacado para garantir a estabilidade, abre precisamente com a refutação do caso que ensombrou a visita.
No documento, o Comité dos Chefes de Estado-Maior da CEDEAO afirma ter tomado conhecimento de reportagens e de publicações nas redes sociais que davam conta do envolvimento de membros da delegação numa tentativa de suborno. A organização rejeitou liminarmente essas informações, considerando-as «inteiramente falsas, infundadas e desprovidas de qualquer base factual», e assegurou que em nenhum momento da missão algum dos seus elementos foi abordado, recebeu ofertas indevidas ou participou em actos dessa natureza.
O Comité sublinhou ainda que não foi apresentada qualquer queixa, denúncia ou prova relacionada com as alegações, quer à própria delegação, quer à estrutura da Missão de Apoio à Estabilização, quer ao hotel onde os responsáveis militares se encontravam alojados. Na origem da polémica esteve uma notícia da RDP-África, posteriormente replicada por vários órgãos de comunicação e amplificada nas redes sociais, segundo a qual alguém ligado ao Governo de transição guineense teria deixado 15 milhões de francos CFA — cerca de 22 mil euros — no quarto de um dos membros da missão.
A resposta do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão que passou a desempenhar as funções do parlamento guineense após o golpe militar de 26 de novembro de 2025, foi imediata. O Conselho repudiou a peça da rádio pública portuguesa, classificando-a como mero exercício de especulação e como «baixo jornalismo militante e mercenário idêntico ao que no passado já justificou a expulsão e o encerramento da RTP no país».
Na mesma nota, o CNT anunciou a abertura de um processo judicial contra a jornalista responsável pela notícia, esclarecendo à comunicação social que a acção decorrerá no «país onde o crime foi materializado». Contactadas, nem a profissional visada nem a Direcção de Informação da rádio pública portuguesa quiseram pronunciar-se sobre a posição assumida pelo Conselho de Transição.


