A conectividade quase universal e uma estratégia de infra-estruturas digitais soberanas, assentes nas tecnologias quânticas, na inteligência artificial e numa cibersegurança de nível mundial, colocam o Luxemburgo numa posição sólida para enfrentar a próxima década digital, ainda que persistam lacunas na adopção da computação em nuvem e na literacia digital de base.
Estas conclusões constam do quarto relatório sobre o estado de avanço da Década Digital, divulgado a 17 de Junho pela Comissão Europeia, que avalia o progresso colectivo da União Europeia rumo à transformação digital prevista para 2030. O documento, que integra análises individuais por país com recomendações destinadas a orientar cada Estado-membro até ao final da década, distingue o Luxemburgo pela cobertura quase total das redes — 99,9% de cobertura 5G e 95,5% de cobertura das redes de muito alta capacidade — e pela sua liderança em domínios como a inteligência artificial e o cálculo de alto desempenho. O país sustenta esta ambição na iniciativa nacional «Acelerar a Soberania Digital 2030» e em projectos estruturantes como a Luxembourg AI Factory, o MeluXina-AI, o MeluXina-Q e as infra-estruturas transfronteiriças de comunicação quântica.
No plano empresarial, a transformação digital atingiu 76,7% em 2025, valor que ultrapassa a média da UE, fixada em 71,4%. A adopção da inteligência artificial revela-se igualmente expressiva, com 33,6% face aos 20% registados no conjunto da União. Apesar destes resultados, o relatório alerta para o atraso na adopção da computação em nuvem e da análise de dados, áreas onde as lacunas persistentes poderão limitar ganhos mais amplos de produtividade e de competitividade. As pequenas e médias empresas, em particular, necessitam de maior apoio para escalar a sua actividade e para explorar as infra-estruturas nacionais de dados.
No que respeita às competências, o Luxemburgo apresenta uma das mais elevadas proporções de especialistas em tecnologias de informação e comunicação da União, na ordem dos 8,7%, embora persista um desequilíbrio estrutural devido à reduzida presença feminina nestas profissões. As competências digitais de base progrediram de 60,1% para 62,4%, ligeiramente acima da média europeia, mantendo-se contudo disparidades entre as populações mais idosas e as pessoas com menor nível de escolaridade. Os serviços públicos digitais continuam a registar desempenhos sólidos, com pontuações de 94,7 em 100 para os cidadãos e de 100 em 100 para as empresas, ainda que subsistam margens de melhoria na digitalização dos serviços de saúde e da justiça, designadamente no acesso aos registos médicos electrónicos.
A articulação entre digitalização e sustentabilidade tem igualmente avançado, com o desenvolvimento de uma abordagem «sustentável desde a concepção» que visa reduzir a pegada ambiental dos serviços públicos digitais. Ainda assim, o relatório recomenda progressos adicionais, sobretudo na medição e na redução das emissões do sector das tecnologias de informação, que no Luxemburgo são cerca de três vezes superiores à média da UE e carecem de um quadro nacional de monitorização. «O Luxemburgo está a construir os alicerces digitais do amanhã, mas o nosso próximo desafio é garantir que cada empresa e cada cidadão possam tirar pleno partido deles», afirmou a ministra delegada junto do primeiro-ministro, responsável pelos Meios de Comunicação e pela Conectividade, Elisabeth Margue.
O roteiro nacional contempla 98 medidas, com um orçamento total de 558 milhões de euros, dos quais 528 milhões são financiados por fundos públicos, o equivalente a 0,59% do produto interno bruto. De acordo com o Eurobarómetro especial da Década Digital 2026, 79% dos residentes consideram a política digital uma prioridade elevada para a UE, sendo o reforço da cibersegurança apontado como prioridade absoluta pela totalidade dos inquiridos, seguido da construção de uma infra-estrutura digital europeia independente e da promoção de programas de educação digital. A protecção das crianças e dos jovens em linha recolhe o apoio de 92% dos inquiridos, ao passo que 87% consideram que a manipulação em linha, incluindo a desinformação e os deepfakes, ameaça os processos democráticos. O Governo do Luxemburgo sublinha ainda que acolheu a totalidade das recomendações formuladas pela Comissão Europeia em 2025, comprometendo-se a aplicar o mesmo empenho às orientações apresentadas este ano.


