A classificação de numerosos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol como «desinteressantes» motivou uma reacção conjunta sem precedentes de treze federações, que recusam qualquer hierarquização entre as nações presentes na maior prova do futebol mundial e reafirmam que nenhum encontro do torneio é dispensável.
A indignação surgiu na sequência das recentes declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, sobre a expansão do Campeonato do Mundo da FIFA e a desvalorização de parte dos seus jogos. Para as federações subscritoras, semelhante leitura ignora os esforços, os sacrifícios e as aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes e adeptos em todo o mundo. «Para os nossos países, não existe jogo insignificante do Campeonato do Mundo», sublinham, recordando que a qualificação para a competição representa uma conquista histórica e a concretização de um sonho partilhado por várias gerações.
Por trás de cada apuramento, lembram as federações, existem anos de trabalho árduo e de investimento, e por trás de cada selecção nacional existem comunidades inteiras e milhões de pessoas que vêem no futebol uma fonte de orgulho, de esperança e de união. Sugerir que alguns desses jogos seriam de algum modo menos importantes equivale, no entender dos signatários, a desprezar tudo o que sustenta a presença de cada equipa na fase final.
O comunicado, a que a redacção do Letzebuerg Hoje teve acesso, coloca a tónica na universalidade do desporto, argumentando que o futebol não pertence a um pequeno grupo de dirigentes privilegiados e que a sua força reside precisamente na capacidade de unir diferentes culturas, histórias e trajectórias. É essa pluralidade, defendem, que torna o Campeonato do Mundo da FIFA a maior competição do planeta. Para muitas nações, recordam ainda, a participação não constitui apenas uma conquista desportiva: é um momento que inspira uma geração, acelera o desenvolvimento do futebol e cria memórias para toda a vida.
Na conclusão, as federações reafirmam que toda a nação apurada merece respeito, que cada equipa se qualificou por mérito próprio e que cada jogo tem significado. O documento foi subscrito pelas federações de futebol de Cabo Verde, do Senegal, de Curaçao, do Usbequistão, do Congo e do Haiti, e conta com a solidariedade das federações da Argélia, da Tunísia, de Marrocos, do Egipto, do Gana, da Costa do Marfim e da África do Sul, num gesto raro de convergência entre confederações de África, da Ásia e das Caraíbas.


