O crioulo falado na Ilha do Príncipe passa a dispor da sua primeira obra lexicográfica, um instrumento que reforça o ensino e a salvaguarda de uma língua de raiz portuguesa há muito ameaçada. Intitulado «Lung’ie, Lunge No», o volume resulta de vários anos de investigação dos académicos Ana Lívia Agostinho e Gabriel Araújo.
A sessão de lançamento foi presidida pelo Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe, Filipe Nascimento, que sublinhou o empenho do executivo regional no resgate, na preservação e na promoção da cultura local. O dicionário surge como mais uma ferramenta didáctica destinada a acelerar a aprendizagem do crioulo, juntando-se a um conjunto de medidas já em curso.
Na sua intervenção, o responsável regional recordou o percurso traçado nos últimos anos, designadamente os programas radiofónicos emitidos em lung’ie e a introdução da língua no sistema escolar. Neste ano lectivo, essa aposta foi alargada ao curso nocturno, ampliando as oportunidades de contacto dos alunos com o idioma e consolidando a sua transmissão às novas gerações.
A cerimónia reuniu diversas personalidades da sociedade são-tomense, entre autoridades regionais, grupos culturais, professores, alunos e agentes ligados à criação cultural. Marcou igualmente presença o Ministro Conselheiro da Embaixada do Brasil, num gesto que evidencia o interesse internacional pela valorização do património linguístico do arquipélago.
Língua crioula de base portuguesa, o lung’ie é falado na Ilha do Príncipe, ao passo que outros dois crioulos são-tomenses — o santomé e o angolar — se ouvem na ilha de São Tomé, num arquipélago que tem o português como língua oficial. Segundo a STP-Press, a publicação do dicionário constitui um passo decisivo para a documentação e a valorização de um idioma que faz parte da identidade cultural do país.


