Um envelope de 320 milhões de euros vai orientar o financiamento climático internacional do Luxemburgo entre 2026 e 2030, num aumento de 100 milhões de euros face aos 220 milhões da fase anterior, confirmando a opção de manter uma verba autónoma e adicional à ajuda pública ao desenvolvimento. A nova estratégia nacional, terceiro ciclo do compromisso luxemburguês neste domínio, assenta numa abordagem integrada — designada «Climate Nexus» — que procura reforçar em simultâneo a resiliência climática, a protecção dos ecossistemas e o bem-estar das populações mais expostas aos efeitos das alterações climáticas, alinhando-se com o Acordo de Paris, com o quadro mundial de Kunming-Montreal para a biodiversidade e com a nova arquitectura internacional do financiamento climático pós-2025.
Para concentrar o impacto, a estratégia define um conjunto de zonas geográficas prioritárias, entre as quais figura o espaço costeiro tropical da África Ocidental — que abrange Cabo Verde, o Senegal, o Benim e São Tomé e Príncipe —, a par do Grande Vale do Rift, dos litorais de monção e do Triângulo de Coral no Pacífico ocidental, das ilhas do Pacífico Sul, dos ecossistemas do Pacífico tropical oriental na América Latina e das florestas mediterrânicas e de montanha dos Balcãs Ocidentais. A presença lusófona é particularmente visível na cooperação bilateral: ao abrigo do VI Programa Indicativo de Cooperação com Cabo Verde, o MECB destina uma contribuição de 12 milhões de euros ao programa de acção climática, com vista a reforçar a governação climática nacional, a viabilizar investimentos adaptados às comunidades locais e a desenvolver instrumentos financeiros inovadores, num projecto executado pela agência luxemburguesa de cooperação LuxDev.
A execução da estratégia repousa em três pilares temáticos — clima e comunidades, clima e ecossistemas, e financiamento inovador para sustentar os investimentos climáticos — e em três canais principais: fundos multilaterais, programas mundiais e programas bilaterais, aos quais se soma uma dotação específica para a actuação nas zonas prioritárias. Uma das principais novidades é a criação do Fundo Cidadão Nexus Climático luxemburguês, um veículo de financiamento misto concebido para utilizar capital público como factor catalisador e mobilizar investimento privado, incluindo de investidores institucionais e de particulares residentes, alargando assim a participação da sociedade no esforço climático do país. O dispositivo será acompanhado de um quadro reforçado de acompanhamento, avaliação e aprendizagem, com indicadores de desempenho destinados a garantir resultados mensuráveis, transparência e integridade ambiental e social.
Na apresentação da estratégia, o ministro do Ambiente, do Clima e da Biodiversidade, Serge Wilmes, sublinhou: «Perante a aceleração dos impactos climáticos e a perda de biodiversidade, o Luxemburgo reforça o seu compromisso a favor de uma acção climática internacional ambiciosa, inclusiva e orientada para o impacto. Esta estratégia reflecte a nossa vontade de agir de maneira integrada, em parceria com os países e as comunidades mais expostos, e de mobilizar soluções financeiras inovadoras ao serviço de um futuro sustentável.» Com este novo enquadramento, e apoiando-se numa década de experiência reconhecida pela fiabilidade e pela flexibilidade dos seus apoios, o Luxemburgo reafirma o objectivo de se afirmar como catalisador de soluções climáticas, colocando a sua posição de centro financeiro global ao serviço de transformações duradouras em benefício das populações e do planeta.


