Uma estação primaveril mais quente e mais seca do que o habitual caracterizou o Luxemburgo entre março e maio de 2026, de acordo com o boletim meteorológico conjunto elaborado pela AgriMeteo, pelo MeteoLux e pela Administração da Gestão da Água (AGE). Os dados recolhidos nas estações de referência de Asselborn, Remich, Findel, Clémency, Grevenmacher e Echternach revelam um desvio consistente face à normal climática do período 1991–2020, tanto nas temperaturas como nas precipitações.
Março e abril registaram temperaturas superiores à média em quase todas as estações, com anomalias entre +1,1 °C e +1,8 °C em março, e uma anomalia média de cerca de +1,1 °C em abril. A estação de Clémency constituiu a excepção em ambos os meses, com desvios nulos ou negligenciáveis. Maio apresentou um carácter mais contrastado: os primeiros dois terços do mês foram marcados por temperaturas abaixo do normal e episódios de geada, mas a partir de meados do mês instalaram-se condições estivais excepcionais. A 26 de maio, várias estações da ASTA registaram as temperaturas máximas mais elevadas alguma vez medidas para um mês de maio no Luxemburgo, sem no entanto superar o recorde absoluto nacional de 33,1 °C, registado a 27 de maio de 2005 em Ettelbrück.
O défice de precipitações foi igualmente expressivo ao longo de toda a estação. Após um inverno já seco, a primavera acumulou faltas de chuva entre -25 mm e -57,9 mm consoante as estações. Em março, as discrepâncias face à normal climática foram ainda moderadas, situando-se entre -3,1 mm e -13,1 mm. Abril revelou-se o mês mais deficitário, com totais de precipitação entre 9,8 mm e 25,5 mm, gerando anomalias de -22,8 mm a -39,6 mm. Maio foi igualmente seco na maioria dos pontos de medição, com desvios entre -4,4 mm e -22,2 mm, à excepção de Asselborn, onde se registou um ligeiro excesso de +5,6 mm. Do ponto de vista hidrológico, o boletim indica que não foram observadas cheias nos cursos de água luxemburgueses, embora os níveis se tenham mantido ligeiramente abaixo do normal em resultado do défice pluviométrico de abril.
As repercussões sobre a actividade agrícola têm sido, por enquanto, contidas. As culturas de Inverno ultrapassaram a estação fria em boas condições gerais e desenvolveram-se favoravelmente, não obstante danos localizados por geada, infestação de ervas daninhas ou excesso de água, em particular no colza. As sementeiras de primavera decorreram em condições propícias, com as últimas plantações de milho e batata a efectuarem-se no final de maio. Os sectores hortícola, frutícola e vitícola beneficiaram globalmente de condições favoráveis, ainda que com necessidades acrescidas de rega e alguns episódios meteorológicos adversos em maio. As primeiras colheitas forrageiras realizaram-se em boas condições, com rendimentos médios mas qualidade promissora na primeira corte e uma colheita de feno bem conseguida. O boletim adverte, porém, que embora o calor e a seca não tenham ainda afectado os rendimentos de forma significativa, a situação poderá deteriorar-se rapidamente caso as condições actuais se prolonguem.


