O incumprimento no pagamento de créditos bancários em Moçambique atingiu níveis que ultrapassam os limites considerados seguros pelos reguladores, exercendo uma pressão crescente sobre as instituições financeiras do país. Os dados referentes ao primeiro trimestre do ano, divulgados pelo Banco de Moçambique (BdM) e noticiados pela comunicação social moçambicana, revelam um quadro de deterioração que afecta tanto bancos de grande dimensão como instituições de menor expressão no mercado.
O Banco Comercial e de Investimentos (BCI), instituição sob a liderança da Caixa Geral de Depósitos (CGD), apresenta o rácio de incumprimento mais elevado do sector, fixado em 14,47% a 31 de março — um valor ligeiramente superior ao do trimestre anterior. Em resposta, o banco reforçou as suas reservas para fazer face a eventuais perdas, elevando o rácio de cobertura para 21,03%. O Moza Banco, embora tenha registado uma ligeira melhoria, mantém um nível de crédito malparado preocupante, ainda acima dos 27%. O Access Bank Moçambique manteve o rácio de 6,96%, valor também acima do limiar recomendado pelo regulador.
Em sentido contrário, o Millennium BIM reduziu o seu nível de incumprimento para 2,37%, reforçando simultaneamente a cobertura para 86,57%, numa trajectória que contrasta com a de outros operadores do mercado. Outras instituições apresentam indicadores dentro dos parâmetros considerados aceitáveis: o FNB Moçambique registou 4,66%, o First Capital Bank Moçambique 1,66%, o Absa Bank Moçambique 4,15% e o Standard Bank Moçambique apenas 0,64%.
No relatório de estabilidade financeira divulgado pelo BdM, o regulador alertou que o rácio de crédito malparado se fixou em 9,32% do total em 2024, face a 8,23% no ano anterior, mantendo-se acima do limite máximo de 5% convencionalmente aceite. O valor total dos créditos em incumprimento ultrapassou os 30 mil milhões de meticais, o equivalente a cerca de 412 milhões de euros, o que representa um agravamento significativo face ao período homólogo. Segundo o jornal O País, as dificuldades económicas das famílias, a quebra de rendimento das empresas, o aumento do custo de vida e a instabilidade em determinados sectores produtivos figuram entre os principais factores que explicam o crescimento destes créditos em atraso.


