O teatro em patuá macaense, crioulo de base portuguesa classificado como Património Cultural Imaterial de nível nacional, regressa ao palco esta semana com a peça “Para Onde Vamos?”, num dos momentos mais aguardados da 36.ª edição do Festival de Artes de Macau. A participação da Casa de Portugal em Macau no programa comunitário “A Casa das Artes” e a abertura de uma sessão suplementar para o espectáculo esgotado “A Noite da Neve do Ming Tang” completam uma semana particularmente intensa do certame, que decorre sob o tema “Navegação nas Artes”.
“Para Onde Vamos?” sobe ao palco a 23 e 24 de maio no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau, mantendo viva uma das mais singulares expressões da herança luso-asiática do território. A peça, encenada em patuá — língua falada pela comunidade macaense e considerada em risco de desaparecimento —, narra com humor a história de duas irmãs que herdam um café e se vêem confrontadas com a decisão de o manter ou abandonar. O género tem conquistado um público fiel ao longo das últimas edições do festival, sendo uma das raras oportunidades anuais para ouvir o crioulo macaense em contexto cénico.
A presença lusófona estende-se também ao programa comunitário “Mais Cultura, Mais Felicidade — A Casa das Artes”, que decorre entre 22 e 24 de maio no Parque do Mercado Iao Hon. A Casa de Portugal em Macau junta-se a outras companhias locais e do interior da China — entre as quais a Companhia Artística Yiliu de Quanzhou e a equipa cultural étnica do Condado de Ximeng, em Yunnan — para três noites de teatro, dança e música ao ar livre. A programação inclui ainda apresentações de património imaterial das chamadas “rotas da seda” marítima e do sudoeste, com oficinas abertas ao público, nomeadamente um atelier de dança da etnia Va, no domingo de manhã, e uma sessão de criação de histórias para famílias, à tarde.
A forte procura pelo espectáculo “A Noite da Neve do Ming Tang” levou a organização a abrir uma sessão extra, marcada para 26 de junho, pelas 19h45, com bilhetes à venda a partir de 23 de maio, às 10 horas, através da plataforma “Enjoy Macau”. A semana traz ainda à Caixa Negra II do Centro Cultural de Macau a companhia cazaque Zhuda Dance Theatre, com as peças “Tamyr” e “Eternidade”, reunidas no programa “Danças Duplas”, a par da reposição de “A Beleza da Juventude 2.0”, criação local do dramaturgo macaense Lee U Leong originalmente estreada em 2006 e agora reescrita duas décadas depois. Segundo a Direcção dos Serviços de Cultura de Macau, organizadora do festival, este conjunto de propostas procura reflectir o cruzamento de tradições que define a identidade cultural do território.


