Há algo profundamente humano em aceitar a própria fragilidade. É precisamente desse ponto de partida — a delicadeza das relações, os afectos que sustentam e os que se partem em silêncio — que nasce Frágil, um espectáculo de dança dirigido e coreografado por Moa Nunes que falou ao LetzebuergHoje. No palco, o corpo assume o papel de narrador: gestos contidos, quedas, aproximações e afastamentos revelam estados emocionais que todos reconhecemos, mesmo quando não sabemos nomeá-los. A obra não busca respostas, mas propõe uma escuta sensível, convidando o público a sentir antes de compreender.
O espectáculo conta com a participação do coreógrafo convidado Fernando Lima, que integra a companhia de dança vinda do Brasil. Lima traz consigo uma trajetória sólida na dança contemporânea, com uma linguagem marcada pela investigação do corpo como expressão emocional — uma abordagem que dialoga directamente com a visão artística de Moa Nunes. A colaboração entre os dois criadores ganhou forma ainda em outubro de 2025, no Brasil, onde o processo coreográfico foi desenvolvido antes de chegar à Europa.
O elenco reúne 13 bailarinos, sendo 10 brasileiros e 3 bailarinas do Luxemburgo. Essa mistura de origens atravessa a cena de forma orgânica, reforçando o carácter universal da obra e ampliando as suas camadas de leitura. Apresentado na Sala Roberto Krieps, no Abbaye de Neumünster, Frágil transforma o espaço num território íntimo, onde cada movimento carrega tensão, entrega e vulnerabilidade. A dança surge como linguagem essencial: directa, honesta e profundamente emocional ressaltou Moa Nunes ao LH.
Frágil sobe ao palco nos dias 21, 22 e 23 de maio: quinta e sexta-feira às 19h30, e sábado com sessões às 15h e às 19h30, na Sala Roberto Krieps — Abbaye de Neumünster, 28, rue Münster, 2160 Luxembourg. O valor do bilhete é de 48 euros, podendo ser adquirido pelo e-mail moadance@gmail.com ou através do site da Abbaye de Neumünster em neimenster.lu.


