O governo francês revelou recentemente o seu plano abrangente de electrificação da economia, com o objectivo de apoiar a competitividade e melhorar o poder de compra. Segundo o Le Monde, o plano destina cerca de 4,5 mil milhões de euros anuais para a electrificação até 2030, somando-se aos aproximadamente 5,5 mil milhões já existentes.
A iniciativa visa reduzir a utilização de energias fósseis, que representa cerca de 60% do consumo energético francês em 2023, para 40% em 2030 e menos de 30% em 2035. Este esforço surge em resposta ao elevado custo das importações de energias fósseis, que supera os 60 mil milhões de euros anualmente. A meta é aumentar a parte da electricidade no consumo total de 27% para 38% até 2035, prevendo-se que esta represente mais da metade da energia consumida em 2050.
Entre as novidades, as ajudas à renovação energética, conhecidas como MaPrimeRénov’, deixarão de ser concedidas para obras que mantenham aquecimento a gás. A partir de 1 de setembro de 2026, as ajudas para grandes renovações estarão condicionadas à substituição de caldeiras que utilizem energias fósseis. Esta medida faz parte do objetivo do governo de instalar um milhão de bombas de calor anualmente até 2030.
O governo sublinha a urgência de acelerar a electrificação das suas aplicações, especialmente em sectores como o transporte, a construção, a indústria e o digital, à luz da crise no Médio Oriente. O plano estipula a expectativa de que duas em cada três novas viaturas sejam eléctricas até 2030, obrigando os fabricantes franceses a produzir 400 mil veículos eléctricos por ano até 2027, com um aumento para um milhão até 2030, recuperando assim uma posição que estava ausente há cinco anos.
Com estas iniciativas, a França procura não apenas assegurar a sua independência energética, mas também posicionar-se como líder na transição energética da Europa nas próximas décadas.


