O governo de Donald Trump está a ponderar a realocação de tropas americanas na Europa, como forma de penalizar alguns países membros da NATO que não prestaram apoio activo na guerra contra o Irão. A informação foi avançada pelo jornal Wall Street Journal.
Trump manifestou descontentamento não só em relação à NATO, mas também contra os aliados asiáticos, como a Coreia do Sul e o Japão, que não acederam ao pedido de participação nas operações no estreito de Ormuz. O jornal revela que, de acordo com várias fontes governamentais, a administração está a considerar mover as tropas americanas da Europa para outros países da NATO que mostraram uma postura mais activa no conflito.
Esta estratégia surge como uma das maneiras de punir a NATO após o início da guerra no Irão. Mesmo no seu estágio inicial, o plano já foi discutido entre vários altos funcionários do governo, conforme relatado no mesmo artigo.
Durante a guerra, Trump iniciou as operações sem consultar os aliados, mas com o prolongamento do conflito, solicitou a ajuda dos seus parceiros, incluindo o uso de bases e do espaço aéreo em várias nações. No entanto, muitos desses pedidos foram negados, o que resultou em uma crescente frustração e sentimentos de traição por parte do presidente americano.
Informações do Wall Street Journal indicam que países como Espanha, que proibiu a utilização do espaço aéreo para aviões militares implicados no conflito, e Itália, que não permitiu a utilização de bases em Sicília por um período, estão entre aqueles que se distanciaram da guerra. França concordou em permitir a utilização de uma base, mas apenas sob a condição de que os aviões envolvidos não realizassem ataques contra o Irão. Além disso, outros países, como a Alemanha, têm enfatizado que o conflito não representa a sua guerra.
Trump, por sua vez, já avisou que “lembrará” destas situações e não descartou a possibilidade de tomar medidas retaliatórias. Ele chegou a sugerir, em várias ocasiões, a eventual retirada dos Estados Unidos da NATO.
Com aproximadamente 84 mil militares destacados na Europa, este contingente é considerado estratégico tanto para os EUA quanto para os interesses europeus, oferecendo, entre outras coisas, uma função dissuasiva face à Rússia.
Caso a realocação se concretize, países que apoiaram a criação de uma força internacional para patrulhar o estreito de Ormuz, como Polónia, Roménia, Lituânia e Grécia, poderão beneficiar desta mudança, como afirmou um membro da administração.
O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, visitou a Casa Branca para uma reunião com Trump, cuja natureza permanece confidencial. Enquanto isso, o presidente também expressou irritação em relação aos aliados asiáticos, colocando em dúvida a presença militar dos EUA na região à luz da falta de respostas ao seu pedido de ajuda nas operações de Ormuz.


