A discussão sobre a proposta de lei que visa ampliar as possibilidades de trabalho no 1º de Maio em França está prestes a avançar para uma comissão mista paritária, com data marcada para breve. Os apoiantes do projeto, segundo informações publicadas pela Franceinfo, conseguiram aprovar uma moção de rejeição na passada sexta-feira, com o intuito de acelerar a tramitação da lei.
No entanto, sindicatos de relevo, como a CFDT, CGT e FO, enviaram uma carta ao Primeiro-ministro Sébastien Lecornu, solicitando que não convocasse a comissão, para que se respeitem tanto a democracia social como a democracia política. As centrais afirmam que a proposta alarga, de forma preocupante, as excepções relativas ao dia do trabalhador a vários setores, prejudicando os salários e os pequenos comércios de proximidade.
Conforme avançou o mesmo orgão, o projeto do governo estabelece que grandes cadeias de supermercados e outros estabelecimentos do setor alimentar possam abrir no 1º de Maio. As medidas abrangem lojas de padaria, pastelaria, charcutarias e até cinemas e museus, criando um cenário controverso, que visa beneficiar grandes empresas em detrimento dos trabalhadores.
Originalmente aprovada no Senado no verão de 2025, a proposta de lei deveria ser discutida na Assembleia Nacional na última sexta-feira, mas os deputados do governo optaram por uma estratégia legislativa para evitar obstruções por parte da oposição. Esta manobra culminou numa moção de rejeição prévia, que foi bem-sucedida e fez com que a proposta progredisse rapidamente nas etapas legislativas.
O Primeiro-ministro incumbiu Jean-Pierre Farandou, Ministro do Trabalho e das Solidariedades, de conduzir consultas com o intuito de formular um compromisso que a comissão mista paritária possa apoiar. O governo, segundo fontes oficiais, garantiu que não haverá imposição de quaisquer decisões e que a comissão ainda não foi convocada.
As consultas com as organizações sindicais estão agendadas para a próxima segunda-feira, onde se espera que novas discussões sobre esta questão sensível tenham lugar. A proposta continua a gerar divisão e preocupação em diversos setores da sociedade, à medida que se aproxima o 1º de Maio.


