O presidente francês, Emmanuel Macron, revelou atualizações na doutrina nuclear de França durante um discurso proferido a partir de uma base militar que alberga submarinos de mísseis balísticos. Segundo informações publicadas pelo canal de notícias France 24, Macron destacou que o país está a entrar numa nova fase da sua estratégia de dissuasão nuclear, que visa complementar a missão nuclear da NATO e convidou os aliados europeus a participarem em exercícios de dissuasão nuclear.
“O que eu gostaria é que os europeus recuperassem o controlo do seu próprio destino”, afirmou Macron. A França está prestes a aumentar o número de ogivas nucleares pela primeira vez em décadas, sublinhando que o poder nuclear do país estará ao serviço da paz. Contudo, o presidente advertiu sobre a capacidade da nação de recorrer ao seu significativo arsenal nuclear de uma forma “que nenhum país, nenhuma potência, por mais forte que seja, poderá recuperar”.
O presidente francês anunciou ainda que a França irá acolher uma cimeira em Paris no dia 10 de março, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da energia nuclear e suas aplicações, reconhecendo que o país se encontra bem posicionado “para promover a energia nuclear civil”.
De acordo com a mesma fonte, o discurso visou especialmente clarificar como as armas nucleares francesas se inserem na postura de segurança mais ampla da Europa, numa época marcada por novas incertezas geradas pela invasão russa da Ucrânia e pelas tensões recorrentes com o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre questões como a Ucrânia e a Groenlândia.
Os líderes europeus expressaram uma crescente incerteza quanto ao compromisso dos Estados Unidos em defender a Europa sob a sua própria cobertura nuclear, uma política que visa assegurar que os aliados, especialmente os membros da NATO, estariam protegidos pelas forças nucleares norte-americanas em caso de ameaça, sem desenvolverem as suas próprias capacidades nucleares. Neste contexto, a França é a única potência nuclear da União Europeia.
O discurso, que estava planeado há muito tempo, foi proferido apesar da intensificação do conflito no Médio Oriente, após os ataques conjuntos israelitas e norte-americanos ao Irão, que resultaram na desestruturação de grande parte da sua liderança durante o fim de semana.


