O escândalo relacionado com o uso indevido de subsídios agrícolas da União Europeia está a aumentar a pressão sobre o governo grego. De acordo com informações publicadas pelo jornal “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, o Parlamento grego decidiu levantar a imunidade de 13 deputados do partido governamental Nova Democracia, permitindo que a Procuradoria Europeia (EPPO) inicie investigações abrangentes. A EPPO suspeita que milhares de agricultores e falsos agricultores, em conluio com políticos, tenham abusado do sistema de subsídios europeus durante anos, reportando áreas e gado que não existiam e realizando trabalhos que nunca foram executados. Os inquéritos revelam que foram criados dados falsos e documentos alterados para obter subsídios substanciais, com a cumplicidade de funcionários e políticos.
A crise resultou numa série de demissões no governo. No início do mês, o Ministro da Desenvolvimento Rural e Alimentação, Kostas Tsiaras, e o Ministro da Protecção Climática e Civil, Ioannis Kefalogiannis, viam-se forçados a abandonar os seus cargos, assim como o Secretário de Estado da Saúde, Dimitris Vartzopoulos. A onda de demissões do último verão não cobriu todas as responsabilidades, pois, em Junho de 2025, um ex-ministro da Agricultura, um vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e um secretário de Estado para questões digitais também haviam deixado os seus cargos. Estes estão sob suspeita de serem, no mínimo, coniventes no vasto esquema de fraudes.
Laura Kövesi, a Procuradora Europeia, destacou, numa conferência económica em Delphi, que o escândalo “representa corrupção, nepotismo e um sistema clientelista”. Ela saudou a decisão do Parlamento de levantar a imunidade dos parlamentares, chamando-a de um passo necessário para o avanço das investigações, sem, no entanto, questionar a presunção de inocência. Embora tenha notado a boa vontade de cooperação do governo grego, a procuradora lamentou os ataques que vieram de membros do governo, incluindo o Ministro da Saúde, Adonis Georgiadis, que acusou a EPPO de agir com motivações políticas e sugeriu a sua dissolução, alegando que a instituição estava a violar a soberania nacional.


