O fornecimento de fruta e legumes às escolas de todo o Grão-Ducado volta a concurso público, com candidaturas abertas a produtores agrícolas e distribuidores. As propostas podem ser entregues até 21 de setembro, através do portal dos concursos públicos, onde o Ministério da Agricultura, da Alimentação e da Viticultura publicou o caderno de encargos do «Schouluebstprogramm» para o ano lectivo de 2026/2027.
É a décima oitava vez que o Luxemburgo aplica o programa europeu de fruta e legumes nas escolas. O objectivo mantém-se: aumentar o consumo destes alimentos entre os alunos e habituar os mais novos ao sabor dos produtos agrícolas. No arranque do ano, o programa alarga-se a dez novos estabelecimentos. Chega já a 98% dos alunos do ensino fundamental e dos liceus — uma cobertura quase total.
O concurso divide-se em sete lotes. Cinco destinam-se aos produtores locais, que podem associar-se para apresentar uma proposta em conjunto, uma solução pensada sobretudo para os pequenos agricultores. Os dois lotes restantes ficam reservados aos distribuidores, responsáveis por fornecer o resto dos produtos e por assegurar a logística de entrega aos 427 locais de ensino abrangidos.
Da produção nacional saem 159,7 toneladas de maçãs, peras e cenouras — as culturas que melhor se adaptam à distribuição semanal durante o ano lectivo. No total, um terço dos alimentos entregues (33,78%) tem origem no Grão-Ducado.
A aposta no biológico é clara. Mais de um terço dos produtos (36%) será de produção biológica, em linha com a capacidade do sector local. Todas as cenouras terão de ser biológicas, já que a oferta nacional garante quantidade e qualidade suficientes. O mesmo se aplica às bananas, que deverão ser, na totalidade, biológicas e de comércio justo — uma exigência alinhada com os objectivos sociais e de cooperação para o desenvolvimento do Governo. Quanto aos restantes produtos fornecidos pelos distribuidores, pelo menos 10% terão de ser biológicos.
Há uma contrapartida para quem se candidatar. Os produtores locais que respondam ao concurso comprometem-se a receber turmas nas suas explorações. Estas visitas pedagógicas procuram sensibilizar as crianças para uma alimentação local e saudável, e têm ganho adesão: no ano lectivo de 2025/2026, um número recorde de 449 alunos visitou fruticultores e horticultores, contra 382 no período anterior — um aumento de 15%.
O «Schouluebstprogramm» é co-financiado pela União Europeia e pelo Estado luxemburguês, ficando sujeito às regras europeias de contratação pública. Para aceder aos apoios comunitários, o país tem de demonstrar contenção nas despesas, razão pela qual o preço pesa 50% nos critérios de atribuição de cada lote.
A organização está centralizada na Administração dos Serviços Técnicos da Agricultura (ASTA). São os distribuidores que asseguram a entrega a todos os estabelecimentos do ensino fundamental e secundário, num modelo que liberta as escolas da maior parte da burocracia. Ao todo, mais de 472 toneladas de fruta e legumes chegam anualmente às salas de aula, entregues ao ritmo de uma vez por semana.


