A formação profissional no Luxemburgo poderá ganhar novas oportunidades de aprendizagem no estrangeiro, cursos mais flexíveis e uma ligação mais estreita às empresas, graças a um conjunto de medidas apresentado pela Comissão Europeia. A iniciativa pretende modernizar o ensino, melhorar as competências dos alunos e preparar os jovens para as exigências do mercado de trabalho, incluindo a inteligência artificial. No Grão-Ducado, 58% dos estudantes do ensino secundário superior e pós-secundário não superior frequentam cursos profissionais, acima da média europeia de 52,7%. Contudo, apenas 39,4% dos empregos exigem qualificações profissionais ou são ocupados por trabalhadores que as possuem, contra cerca de 60% na União Europeia.
Uma das principais novidades será a criação, a partir de 2028, de um mecanismo europeu para facilitar o acesso de aprendizes e estudantes do ensino profissional a estágios e formações noutros países. A medida poderá beneficiar especialmente os jovens do Luxemburgo que pretendam obter qualificações difíceis de disponibilizar no país. Segundo Dennis Wernerus, chefe interino da Representação da Comissão Europeia no Luxemburgo, a estratégia permitirá também aproximar os liceus, as câmaras profissionais e as empresas, nomeadamente as PME, na criação de cursos adaptados às necessidades de sectores como a construção e a energia. A partir de 2027, um projecto-piloto europeu irá testar módulos de formação curtos e flexíveis, desenvolvidos em colaboração com empresas.
As mudanças também chegam às escolas. A Comissão Europeia pretende melhorar os resultados dos alunos em leitura, matemática e ciências, numa altura em que 33,9% dos jovens europeus de 15 anos apresentam dificuldades em matemática, 31,3% em leitura e 25,9% em ciências. O programa Erasmus+ deverá apoiar, a partir de 2027, alianças entre escolas de diferentes países, enquanto novas medidas procurarão tornar a profissão docente mais atractiva. A inteligência artificial terá igualmente maior presença no ensino, estando prevista para o ano lectivo de 2027-2028 a experimentação de um certificado de competências nesta área. Bruxelas quer ainda promover uma utilização mais segura e equilibrada dos ecrãs entre crianças e adolescentes.
A concretização destas iniciativas será discutida a 20 de Novembro, durante a Cimeira Europeia da Educação e das Competências, que reunirá representantes dos Estados-membros, professores, estudantes e empresas. As duas recomendações apresentadas pela Comissão terão ainda de ser examinadas pelo Conselho da União Europeia. Para o Luxemburgo, as novas medidas poderão representar mais possibilidades de formação internacional, uma colaboração reforçada entre escolas e empresas e melhores perspectivas de emprego para os jovens. A estratégia procura também facilitar a actualização das competências dos trabalhadores adultos, acompanhando as transformações tecnológicas e as necessidades de uma economia cada vez mais exigente.



