Os prejuízos das instituições bancárias devem ser suportados pelos seus accionistas, sem transferir para os contribuintes os custos de eventuais resgates financeiros. Esta é uma das principais ideias defendidas no livro «Insolvência e Resolução Bancária», pelo bastonário da Ordem dos Economistas de Angola, Wilson Neves.
A obra propõe uma mudança de paradigma na gestão das crises bancárias, defendendo a criação de mecanismos de resolução capazes de reduzir os custos e aumentar a eficiência dos processos de insolvência. Segundo o jornal angolano Expansão, o autor pretende estimular uma reflexão sobre os instrumentos de regulamentação e supervisão necessários para proteger a estabilidade do sistema financeiro.
Wilson Neves sustenta que, se os lucros das instituições financeiras pertencem exclusivamente aos seus proprietários, também os prejuízos devem ficar sob a responsabilidade dos accionistas. Nesta perspectiva, a insolvência de um banco não deveria transformar-se automaticamente num problema para os governos, nem justificar a utilização de dinheiro público para cobrir perdas privadas.
A insuficiência da regulamentação bancária e a ausência de instrumentos eficazes para limitar o risco sistémico estão, segundo a análise apresentada, entre os factores que frequentemente obrigam os Estados a intervir. O livro procura, assim, colocar no centro do debate a responsabilidade dos accionistas, a prevenção de crises financeiras e a necessidade de modelos de resolução bancária que evitem fazer recair sobre os contribuintes os custos do salvamento de instituições financeiras.



