A alegada produção ilegal de combustível no distrito de Dondo, em Moçambique, está a provocar preocupação entre os moradores e agricultores das zonas próximas de uma unidade industrial, devido ao depósito de resíduos potencialmente perigosos e ao risco de contaminação ambiental. A situação agravou-se na tarde de sexta-feira, quando um incêndio deflagrou numa área utilizada para o descarte de resíduos, atingindo parte do terreno de uma empresa vizinha e destruindo vegetação, incluindo pequenas árvores de eucalipto.
De acordo com denúncias de residentes, os resíduos, descritos como óleo impróprio para utilização, são depositados junto ao muro da fábrica, libertando odores intensos que afectam quem vive e trabalha nas imediações. O incêndio aumentou os receios. Um responsável pelo terreno atingido relatou momentos de grande apreensão, sobretudo pelo perigo que as chamas representavam para as instalações e para os trabalhadores. Testemunhas afirmam que os responsáveis pela unidade industrial recorreram a alguns homens para tentar controlar o fogo, mas as chamas acabaram por consumir uma parte significativa da propriedade vizinha.
A preocupação estende-se aos campos agrícolas. Os produtores locais receiam que os resíduos provenientes da alegada produção de combustível comprometam a fertilidade dos solos e prejudiquem as culturas, colocando em risco os rendimentos de famílias que dependem da agricultura para sobreviver. Também outros membros da comunidade, que desenvolvem diferentes actividades nas proximidades da fábrica, se queixam dos odores persistentes e manifestam receios quanto às possíveis consequências para a saúde e para o ambiente. A possibilidade de novos incêndios constitui outro motivo de inquietação, numa zona onde a actividade industrial se encontra próxima de terrenos utilizados para fins agrícolas.
Segundo o jornal moçambicano O País, uma equipa de reportagem deslocou-se ao local na manhã de sábado para procurar esclarecimentos junto dos responsáveis da fábrica, mas encontrou as instalações encerradas e não conseguiu obter qualquer declaração da empresa. As autoridades competentes e os organismos responsáveis pela fiscalização industrial e pelo controlo da qualidade ambiental confirmaram ter recebido uma denúncia relacionada com o caso. Está em curso uma investigação destinada a apurar os factos, verificar a eventual existência de actividades ilegais, determinar possíveis responsabilidades e adoptar medidas para interromper a produção, caso se confirme que decorre à margem da lei.



