A realização das eleições gerais na Guiné-Bissau, previstas para 6 de Dezembro de 2026, é considerada inviável pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), devido aos procedimentos legais exigidos pela legislação em vigor. A posição foi manifestada pelo vice-presidente do órgão, Nelson Moreira, após uma consulta convocada pelo Presidente da República de transição, no quadro das disposições previstas na Carta Política de Transição e na Constituição guineense.
Segundo a Agência de Notícias da Guiné (ANG), Nelson Moreira explicou que a iniciativa presidencial teve como finalidade recolher as posições e interpretações do CNT relativamente ao actual processo de transição política. O encontro permitiu ao Conselho transmitir formalmente o seu entendimento sobre as condições necessárias à organização das eleições, numa altura em que o calendário eleitoral suscita dúvidas quanto ao cumprimento das exigências legais.
O conteúdo exacto da posição apresentada ao Chefe de Estado não foi divulgado. Nelson Moreira justificou esta reserva com o carácter institucional da consulta, esclarecendo que compete ao Presidente da República comunicar publicamente qualquer decisão através de um decreto. A responsabilidade de anunciar os próximos passos fica, assim, nas mãos da Presidência, enquanto se aguarda uma definição sobre a manutenção ou alteração da data inicialmente estabelecida para a votação.
A posição do CNT coincide, de acordo com a ANG, com o entendimento anteriormente manifestado pelo Governo e pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), reforçando a possibilidade de um adiamento do escrutínio de 6 de Dezembro. A Guiné-Bissau permanece, deste modo, perante um cenário de incerteza quanto ao calendário eleitoral e à evolução do período de transição. As próximas decisões presidenciais deverão esclarecer o enquadramento jurídico e os procedimentos a adoptar para a realização das eleições gerais.



