A vitória do MLSTP nas eleições legislativas de São Tomé e Príncipe ficou confirmada com 24 mandatos, apenas mais um do que o ADI, abrindo uma fase decisiva de negociações para encontrar sustentação parlamentar para o próximo Governo. Segundo o jornal Téla Nón, a Assembleia Geral de Apuramento analisou protestos e pedidos de impugnação apresentados por partidos em quatro círculos eleitorais, mas a maioria foi indeferida por não alterar a distribuição de deputados. O novo Parlamento terá 24 eleitos do MLSTP, 23 do ADI, seis da coligação MCI-PS-PUN e dois do Movimento BASTA.
Uma das reclamações partiu do Movimento BASTA, que pediu a recontagem dos votos no círculo eleitoral de Mé-Zochi, alegando ter conquistado um mandato atribuído ao ADI. Artur Vera Cruz, juiz presidente do Tribunal Constitucional e da Assembleia Geral de Apuramento, rejeitou o pedido por falta de provas documentais, embora tenha indicado que o movimento pode recorrer ao Tribunal Constitucional para solicitar uma reapreciação. Encerrada esta fase, Cilcio Santos, representante do MLSTP no apuramento, defendeu que o Presidente da República, Carlos Vila Nova, deve nomear Américo Barros, líder do partido mais votado, para primeiro-ministro. O MLSTP confirmou também que iniciou contactos com as restantes forças com representação parlamentar logo após a divulgação dos resultados provisórios.
As contas, contudo, obrigam a entendimentos. Nem o MLSTP nem o ADI dispõem sozinhos dos deputados necessários para assegurar uma maioria, colocando os seis mandatos da coligação MCI-PS-PUN no centro das negociações. Miguel Gomes, mandatário da coligação, confirmou ao Téla Nón que recebeu contactos dos dois maiores partidos para discutir sustentabilidade parlamentar, mas explicou que qualquer decisão terá de passar pelo conselho político. Wilfred Moniz, representante do ADI, afirmou igualmente que o partido pretende dialogar com todas as forças representadas na Assembleia Nacional, procurando condições para uma governação consensual e estável.



