A actividade económica na China ganhou novo fôlego em Setembro, com a indústria transformadora e os serviços a acelerarem em simultâneo, num contexto internacional ainda marcado por fortes tensões e incerteza. A conclusão faz parte de uma análise de Andrei Rădulescu, um dos economistas da Europa Central e de Leste com presença em fóruns económicos internacionais, preparada em exclusivo para o Lëtzebuerg Hoje.
O perfil do autor dá particular relevo à análise. Rădulescu é membro do Bretton Woods Committee, em Washington, desde 2023, sendo actualmente o único economista da Roménia e da Europa Central e de Leste a integrar o comité. É também director de investigação macroeconómica, análise e previsão no Banca Transilvania e investigador no Institute for World Economy da Academia Romena. Tem formação pós-universitária em Portugal e na Roménia, incluindo estudos na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, e ao longo da carreira apresentou trabalhos sobre economia e mercados financeiros em cerca de 40 países da Europa, Ásia, América e África. Integra ainda o Moroccan Institute of International Relations e o Strategic Forum Council da Sérvia.
Na análise enviada ao Lëtzebuerg Hoje, Rădulescu destaca que o sector industrial chinês se expandiu pelo décimo mês consecutivo. O índice PMI (Purchasing Managers’ Index) da indústria transformadora subiu 0,6 pontos face a Agosto, para 51,5 pontos, o valor mais elevado dos últimos cinco meses. A melhoria das novas encomendas, tanto internas como externas, esteve entre os principais motores deste desempenho. As empresas procuraram também reforçar os inventários antes do Inverno, numa altura marcada pelo conflito no Médio Oriente, pelos seus efeitos nos preços internacionais dos hidrocarbonetos e por outras fontes de instabilidade mundial.
Os serviços acompanharam o movimento. Segundo os dados da S&P Global analisados pelo economista, o respectivo PMI aumentou 0,2 pontos, para 51,6 em Setembro, atingindo o nível mais elevado dos últimos três meses. As novas encomendas cresceram e as destinadas à exportação aceleraram pela primeira vez em três meses. Melhoraram igualmente as perspectivas para os próximos 12 meses, tanto na indústria como nos serviços, sustentadas pelas expectativas relativas à conjuntura macroeconómica mundial e pelos planos de desenvolvimento das empresas.
Para Rădulescu, os indicadores confirmam um elevado grau de resistência da economia chinesa aos choques internacionais. Essa capacidade surge igualmente nos números do comércio: segundo dados do Netherlands Bureau for Economic Policy Analysis incluídos na análise, o volume das exportações chinesas de mercadorias cresceu 15,1% em termos homólogos entre Janeiro e Julho de 2026. Nos Estados Unidos, o aumento foi de 7,2%, enquanto a zona euro registou uma contracção de 1,0%. A produção industrial chinesa avançou 5,2% no mesmo período, contra 1,1% nos Estados Unidos e uma queda de 0,8% na zona euro. A China, segunda maior economia mundial em termos de PIB nominal, deverá ultrapassar os 20 biliões de dólares em 2026, segundo a estimativa do Fundo Monetário Internacional citada na análise.

Andrei Rădulescu é director de Investigação Macroeconómica da Banca Transilvania, investigador associado da Academia Romena e professor na Academia de Estudos Económicos de Bucareste. Especialista em economia internacional e mercados financeiros, é o único economista da Roménia e da região CEE a integrar o Bretton Woods Committee e publica regularmente análises macroeconómicas em exclusivo no Letzebuerger Hoje.



