Uma nova edição de uma obra dedicada aos vários estratos da sociedade de Luanda chega ao público esta quarta-feira, 30 de Setembro, numa apresentação marcada para a Casa de Angola, em Lisboa. O livro de Luís Gaivão percorre realidades muito diferentes da capital angolana, dos círculos de ministros e diplomatas aos vendedores, crianças de rua e moradores dos bairros mais pobres. Segundo o jornal angolano Expansão, o relançamento assinala os 450 anos da fundação da cidade e recupera, numa versão revista, a obra publicada originalmente em 2006.
Algumas histórias ficaram de fora desta nova edição, mas permanecem narrativas construídas a partir do quotidiano dos angolanos e das formas encontradas para enfrentar dificuldades aparentemente sem solução. Uma dessas marcas é aquilo a que Luís Gaivão chama de «esquema», expressão recorrente na vida de Luanda e que o escritor descreve como «um símbolo nacional» ao qual ninguém escapa.
Nascido em Luanda, em 1948, Luís Gaivão conhece de perto a realidade cultural angolana. Entre 1996 e 2001, desempenhou as funções de adido cultural da Embaixada de Portugal em Angola e foi responsável pelo Centro Cultural Português. Esse contacto prolongado com as ruas, os hábitos e as diferentes camadas sociais da capital atravessa as histórias reunidas no livro, onde convivem personagens de universos sociais muito distintos.
As dificuldades não apagam, porém, a vivacidade retratada pelo escritor. Gaivão destaca a alegria e a presença constante da dança entre os angolanos, mesmo perante as duras condições de vida. A nova edição volta assim a colocar em primeiro plano episódios e personagens de Luanda, compondo um retrato social da cidade através das experiências de quem nela vive, segundo o Expansão.



