A investigação científica iniciada ainda no ensino médio levou Ada, jovem de Manaus, a desenvolver projectos sobre cancro da mama e Alzheimer e abre agora uma nova etapa académica nos Estados Unidos, onde começa a licenciatura em biologia computacional, em Nova Iorque. Segundo a Folha de S.Paulo, o interesse pela área nasceu depois de uma experiência com programação Python, quando a estudante percebeu as possibilidades de cruzar computação e biologia.
A ciência ganhou, porém, uma dimensão pessoal quando a tia, Francisca, recebeu um diagnóstico de cancro da mama. A vontade de ajudar a família levou Ada a lançar um projecto dedicado à doença e, em colaboração com amigas, a desenvolver o Minerva. Aos 15 anos, concebeu um algoritmo capaz de relacionar proteínas com compostos, posteriormente registado no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. O trabalho chegou também a investigadores ligados à Universidade da Califórnia em San Diego, através do professor Roberto, mostrando à estudante que uma investigação realizada no ensino médio poderia ter utilidade para outros cientistas.
O percurso prosseguiu com um projecto sobre Alzheimer, no qual Ada estudou a utilização de ondas binaurais como terapia alternativa e observou a resposta de genes a determinada frequência, com redução da expressão genética. A jovem tornou-se ainda a primeira mulher amazonense premiada na Isef, distinção que encara como uma oportunidade para dar maior visibilidade à investigação produzida no Norte do Brasil. Manaus e a Amazónia, sublinha, influenciam a forma como pensa os problemas e as soluções tecnológicas, sobretudo devido às particularidades logísticas da região.
A nova fase em Nova Iorque deverá permitir-lhe aprofundar uma abordagem interdisciplinar e explorar questões menos convencionais. A preparação para o ingresso no ensino superior contou com o apoio da Fundação Estudar, que Ada conheceu no oitavo ano através de uma colega participante no programa Prep, actualmente com inscrições abertas para o ano lectivo de 2027. Depois de períodos de exaustão extrema e das dificuldades em conciliar investigação e vida pessoal, a estudante procura agora um equilíbrio diferente, reconhecendo que a sua identidade vai além do percurso académico, refere a Folha de S.Paulo.



