O regresso à ordem constitucional e a realização de eleições presidenciais e legislativas inclusivas, livres, transparentes e credíveis foram reafirmados como prioridades da transição política na Guiné-Bissau. Na intervenção perante a 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, Ilídio Vieira Té assinalou igualmente o 53.º aniversário da Independência Nacional, colocando a paz, a liberdade e a soberania entre os valores que o país pretende projectar no plano internacional. Segundo a Agência de Notícias da Guiné (ANG), o discurso foi proferido durante o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU.
A situação política interna ocupou uma parte central da intervenção. O Primeiro-Ministro de Transição e das Finanças considerou que os acontecimentos de 26 de Novembro de 2025 interromperam a ordem constitucional e apontou o Referendo Constitucional de 30 de Agosto de 2026 como um marco do processo de transição. As próximas eleições presidenciais e legislativas estão marcadas para 6 de Dezembro. Ilídio Vieira Té agradeceu ainda o apoio da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da União Africana, das Nações Unidas e de outros parceiros internacionais no processo destinado a recuperar a normalidade constitucional.
A reforma da governação mundial foi outro dos eixos do discurso. O chefe do Governo defendeu mudanças no Conselho de Segurança da ONU, sustentando que África permanece sub-representada nas estruturas onde são tomadas decisões sobre paz, segurança e desenvolvimento, e reafirmou a candidatura da Guiné-Bissau a membro não permanente daquele órgão para o biénio 2028-2029. A diplomacia preventiva, a participação de mulheres e jovens nos processos de paz e o combate ao terrorismo e ao crime organizado foram igualmente apresentados como prioridades da actuação externa guineense.
As alterações climáticas, o endividamento dos países em desenvolvimento e o financiamento do desenvolvimento também estiveram entre os desafios globais destacados por Ilídio Vieira Té. De acordo com a ANG, o governante defendeu uma resposta colectiva mais eficaz às crises internacionais e apelou ao reforço do multilateralismo e da solidariedade entre Estados, tendo como horizonte um mundo pacífico, justo, solidário e sustentável.



