O economista Vincent Aussilloux falou recentemente com o Lëtzebuerg Hoje sobre a sua proposta para acelerar a redução das emissões de carbono, no contexto de uma conferência no Luxemburgo. Doutorado em Economia, dirigiu o departamento de Economia da France Stratégie entre 2014 e 2023 e regressou, em 2024, à Direcção-Geral do Comércio da Comissão Europeia. A proposta que apresenta é pessoal e não representa uma posição oficial da instituição.
A ideia central é fazer com que, entre produtos equivalentes, a opção menos poluente seja também a mais barata. Aussilloux argumenta que reduzir as emissões produzidas na Europa não chega se os consumidores continuarem a comprar produtos fabricados com maior pegada de carbono noutros países, muitas vezes por serem mais baratos.
O primeiro passo, segundo os documentos em que desenvolve a proposta, seria adoptar um método comum para calcular a pegada de carbono de cada produto ao longo de toda a cadeia de produção. A informação permitiria orientar as compras públicas e dar aos consumidores uma base para comparar alternativas.
Numa fase seguinte, o economista sugere duas possibilidades para alterar os preços: baixar o IVA dos produtos menos poluentes e subir o dos seus equivalentes com mais emissões, ou aplicar uma taxa a estes últimos e compensar as famílias com reduções de encargos e apoios financeiros. Aussilloux defende que a compensação poderia proteger o poder de compra, em especial das pessoas com rendimentos mais baixos.
Na sua perspectiva, uma maior procura por produtos menos poluentes tornaria mais rentáveis os investimentos das empresas em métodos de produção limpos. O economista prevê menos necessidade de subsídios, mais inovação e emprego na indústria europeia e um incentivo para que produtores de outros países reduzam as emissões se quiserem continuar a vender na União Europeia.
Se a proposta viesse a ser adoptada à escala europeia, os seus efeitos também se fariam sentir no Luxemburgo, desde os preços nas lojas até às compras das entidades públicas. Aussilloux associa essa mudança a benefícios para a saúde, a qualidade de vida e o ambiente. Esses resultados continuam, porém, a ser previsões: dependeriam das regras escolhidas, da forma de medir as emissões e das compensações efectivamente atribuídas às famílias.



