A escassez prolongada de combustível levou motoqueiros e taxistas da cidade de Nampula a bloquear várias vias e a procurar uma intervenção do governador Eduardo Mariamo Abdula, depois de denunciarem dificuldades crescentes para trabalhar e sustentar as famílias. Segundo o jornal Ikweli, os manifestantes afirmam que o problema se arrasta há mais de quatro meses e que há profissionais obrigados a passar noites junto das bombas de abastecimento na esperança de conseguirem comprar apenas alguns litros de gasolina.
As barricadas, montadas com troncos, pedras e motorizadas, afectaram zonas como Trim Trim, Sipal, CFM e a nova estrada de acesso ao mercado do Matadouro. Cerca das 8 horas, longas filas de viaturas estavam imobilizadas e alguns transportes semicolectivos tiveram de retirar os passageiros. Os protestantes alegaram ainda que determinadas bombas recusam abastecer motorizadas ou exigem requisições, enquanto combustível estaria a ser fornecido durante a noite a cidadãos estrangeiros e a viaturas governamentais. Um dos motoqueiros denunciou igualmente pagamentos acima do preço habitual, afirmando que uma compra de 200 meticais podia implicar mais 100 meticais e que seis litros chegavam a custar 700 meticais. Estas acusações são apresentadas pelo Ikweli como relatos dos manifestantes.
A Polícia da República de Moçambique chegou ao local menos de meia hora depois para retirar os obstáculos e restabelecer a circulação, embora alguns motoqueiros e munícipes tenham continuado a colocar pedras na estrada. Castro Domingos, taxista numa das praças da cidade, afirmou estar há duas semanas sem conseguir viajar para Caramacha por falta de combustível. Outros profissionais disseram estar há vários dias, ou mesmo uma semana, sem abastecer, situação que, segundo os próprios, eliminou praticamente as receitas usadas para comprar alimentos para as respectivas famílias.
O protesto acabou por levar um grupo até à residência oficial do governador de Nampula, onde os manifestantes foram recebidos. De acordo com o Ikweli, Eduardo Mariamo Abdula pediu calma, apresentou parcialmente as razões da crise de combustíveis e advertiu contra situações de oportunismo. O governador comprometeu-se ainda a continuar a defender os interesses da população dentro dos princípios de justiça e honestidade, numa resposta que deixou os motoqueiros satisfeitos após vários meses de dificuldades no abastecimento.



