Combater o isolamento de quem troca Portugal pelo Grão-Ducado deixou de ser só uma queixa entre amigos. Em pouco mais de meio ano, um projecto nascido de uma conversa ao almoço já organizou nove encontros — piqueniques, caminhadas, jantares, uma aula de pilates — e junta, sobretudo, gente que chegou há pouco e não sabia por onde começar. A ideia é simples: dar às pessoas um sítio para se conhecerem.
Chama-se Lëtz Meet. Cláudia Sameiro e Mariana Berlenga conheceram-se em janeiro deste ano e depressa se tornaram amigas. Numa dessas conversas, à mesa, falavam da dificuldade de criar laços no país e do sentimento que acompanha quase sempre a mudança — o de estar só. Faltava um lugar. Por impulso, decidiram construí-lo. Partiram de uma suspeita que os factos confirmaram, contam ao Lëtzebuerg Hoje: havia muitos outros a viver exactamente o mesmo.
O projecto tem duas frentes. Uma organiza os eventos. A outra, mais intimista, chama-se «À Conversa com…» e existe para dar voz às histórias de quem é português e vive no Luxemburgo — percursos, desafios, projectos, experiências. «Porque todas as histórias merecem ser ouvidas», resume o lema da rubrica. O primeiro episódio, «A Origem», saiu na semana passada e é a própria dupla a explicar o que a levou até aqui. A marca circula no Instagram e no TikTok desde abril. No Facebook, ainda nada — faz parte de uma lista de coisas por fazer que, admitem, é longa.
A adesão apanhou de surpresa quem esteve por trás da ideia. «O nosso receio maior era que não aparecesse ninguém», recordam, e no entanto vão já no nono evento. O público-alvo situa-se entre os 20 e os 35 anos, embora não faltem participantes na casa dos 40 e dos 50. Alguns nasceram no Luxemburgo e trazem à comunidade um conhecimento que os recém-chegados não têm. As caminhadas chegaram a reunir cerca de trinta pessoas; as aulas, por questões de logística, ficam-se pelos vinte lugares. Quem quiser entrar segue as redes sociais e inscreve-se através do formulário disponível na ligação dos perfis.
O retorno não se mede só em números. Depois de cada encontro, multiplicam-se as partilhas de quem saiu de lá com contactos novos, e há um caso que as fundadoras fazem questão de sublinhar: uma senhora que se mudou para o país há cerca de dez anos e que, nas suas palavras, «sentia-se sozinha». Foi a dois eventos. Divertiu-se. A saúde mental agradece, dizem, porque estes encontros servem também para quebrar a rotina — para que o dia deixe de ser apenas «casa-trabalho, trabalho-casa».
A agenda dos próximos tempos já está a tomar forma. Há um encontro marcado para o dia 19, no parque de Merl, e a estreia de um clube de corrida está prevista para o dia 26. Segue-se o Halloween, a 31 de outubro. Com o fim do bom tempo, a aposta vira-se para o interior: entrou em cena uma aula de pilates, a primeira, orientada por uma fisioterapeuta certificada vinda de Portugal, com lanche e um pequeno saco de prendas para as participantes. Até aqui, quase tudo aconteceu no centro do país. As fundadoras querem mudar isso e levar os encontros também ao norte e ao sul, e já se reuniram com um centro de bem-estar para alargar a oferta de yoga, pilates e workshops em espaços fechados.




