Uma das obras fundadoras do cinema português regressa ao grande ecrã em cópia restaurada em 4K, agora ao alcance da comunidade lusófona do Grão-Ducado. Trata-se de Aniki-Bóbó, de 1942, a primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira e um marco na história do cinema nacional. A projecção está marcada para o Théâtre des Capucins, na cidade do Luxemburgo, no dia 29 de setembro.
O restauro foi realizado no âmbito do FILMar, projecto conduzido pela Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema. A nova cópia digital estreou-se em 2025 no Festival de Cinema de Veneza, na secção dedicada aos clássicos restaurados. A sessão no Luxemburgo começa às 18h15, com uma breve apresentação do filme e do respectivo restauro, em inglês, com cerca de quinze minutos; a projecção arranca por volta das 18h30. A iniciativa resulta de uma colaboração entre a Cinemateca do Luxemburgo, a Embaixada de Portugal e o Centro Cultural Português – Camões.
A acção decorre nas margens do rio, no Porto, onde um grupo de crianças se junta para brincar. Entre elas está Carlitos, tímido e sonhador, que se apaixona por Teresinha e cedo passa a invejar Eduardo, o líder destemido e audacioso do bando. Para conquistar a rapariga, furta uma boneca numa loja — e acaba injustamente suspeito de um crime bem mais grave. Numa das cenas, atravessa os telhados das casas, à noite, para lhe entregar o presente. O enredo, adaptado de «Meninos Milionários», de Rodrigues de Freitas, coloca a personagem perante realidades adultas como a culpa, o medo e o sentido de justiça.
O filme é exibido em versão original, com legendas em inglês, e tem a duração de 72 minutos. A entrada faz-se mediante bilhete — numa sessão promovida pela embaixada e o centro cultural. As reservas e informações ficam a cargo da Cinemateca.


