O regresso a Timor-Leste dos restos mortais de três antigos prelados católicos abre dez dias de cerimónias oficiais que o país dedica ao legado espiritual e histórico de quatro figuras da sua Igreja. À memória de D. Jaime Garcia Goulart, D. José Joaquim Ribeiro e Monsenhor Martinho da Costa Lopes junta-se a de D. Alberto Ricardo da Silva, cujos restos mortais já repousam em solo timorense.
A iniciativa parte do Governo da República Democrática de Timor-Leste e da Conferência Episcopal Timorense. Reúne homenagem e reconhecimento, sob o lema «Retratos da Fé e Memória Eterna da Igreja e de Timor-Leste — Celebrando a Herança e o Sacrifício dos Nossos Saudosos Prelados», as solenidades procuram devolver ao país a memória de homens que ajudaram a moldar a sua identidade religiosa e nacional.
Tudo começa a 1 de setembro, ao início da tarde, pelas 13h30, os restos mortais chegam ao Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato, em Díli. Segue-se a assinatura do termo de entrega entre a comissão organizadora do Governo e a Conferência Episcopal Timorense, por volta das 14h00, e depois a procissão até à esplanada de Tasi Tolu.
Manatuto acolhe o segundo grande momento, a 3 de setembro. A homenagem centra-se em Monsenhor Martinho da Costa Lopes, cujos restos mortais partem de Laleia rumo à igreja paroquial da vila. Há uma paragem simbólica na ponte. Depois da leitura de uma resolução do Governo e do discurso do Presidente da República, é descerrada a placa que rebaptiza a estrutura como «Ponte Mons. Martinho da Costa Lopes», a que se segue a bênção do arcebispo de Díli.
O ponto alto chega a 10 de setembro, entre Tasi Tolu e a Catedral de Díli. Pelas 17h00, celebra-se uma missa de homenagem presidida pelo cardeal D. Virgílio do Carmo da Silva, arcebispo metropolitano de Díli e presidente da Conferência Episcopal Timorense. Seguem-se intervenções dos responsáveis eclesiásticos e do Presidente da República. As cerimónias encerram com o sepultamento dos restos mortais dos quatro prelados na catedral e uma visita ao monumento e jardim de homenagem erguidos no seu recinto.
Para a comunidade lusófona radicada na Europa, e no Luxemburgo em particular, estas datas reforçam um elo com a história e a fé de Timor-Leste. O programa oficial reserva os gestos finais para a catedral da capital, onde os quatro prelados passarão a repousar.


