Levar a cada tabanca e a cada bairro o conteúdo da nova Constituição — é esse o objectivo da campanha nacional de educação cívica que decorre na Guiné-Bissau a menos de duas semanas do referendo. Os eleitores são chamados às urnas no dia 30 deste mês. A pergunta é directa: concordam, ou não, com a entrada em vigor do novo texto fundamental aprovado pelo Conselho Nacional de Transição.
Muitos guineenses ainda conhecem mal aquilo que vão decidir. Foi esse o receio que atravessou o debate do programa «Praça Pública», da Deutsche Welle (DW), em torno do grau de informação da população sobre um documento que promete redesenhar o funcionamento do Estado. Daí a aposta na proximidade.
O primeiro-ministro do Governo de Transição, Ilídio Vieira Té, lançou a iniciativa numa cerimónia em Bissau e apelou «à serenidade e à participação informada». A campanha há-de chegar às regiões, aos sectores, às tabancas, aos bairros e às comunidades, garantiu Fodé Caramba Sanhá, primeiro vice-presidente do Conselho Nacional de Transição e coordenador da campanha pelo «Sim». Mais do que discursos, prometeu diálogo e mobilização porta a porta.
O que está em jogo não é pouco. A nova Constituição reconfigura os órgãos de soberania e reforça, na prática, os poderes do Presidente da República. O voto será universal, directo, secreto e pessoal. Quem tiver capacidade eleitoral activa dirá se aceita, ou trava, a mudança.
Este é o primeiro grande teste eleitoral desde a ruptura de novembro. Os militares tomaram o poder a 26 de novembro de 2025 e substituíram o parlamento pelo Conselho Nacional de Transição, o mesmo órgão que aprovou o texto agora submetido a votação. O Governo de Transição assegura que respeitará o resultado, seja ele qual for.


