O regresso ao serviço de uma subunidade policial arrasada durante os protestos que se seguiram às eleições de 2024 devolveu esta quarta-feira um sinal de segurança à periferia de Nampula, no norte de Moçambique. A 3.ª Esquadra de Namicopo, encerrada desde dezembro desse ano, voltou a abrir portas no dia 12, requalificada e reconstruída de raiz.
A destruição fora obra de alegados manifestantes, no rescaldo da contestação pós-eleitoral que abalou o país. Muito ficou por reparar. A reabertura resultou da mobilização de parceiros conduzida pelo governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, que fez da recuperação do edifício uma prioridade. O principal apoio veio da Nacala Logistics.
A cerimónia de entrega contou com a presença do ministro moçambicano do Interior, Paulo Chachine. Segundo o jornal Ikweli, coube ao governador o momento mais carregado da manhã. «Hoje é um dia de memória, de resiliência e de esperança. É de memória porque lembramos com dor que a antiga esquadra foi destruída de forma violenta no âmbito de manifestações ilegais e criminosas que abalaram o nosso país», afirmou Abdula. Descreveu depois o novo espaço como uma promessa à comunidade: «Uma esquadra moderna, mais digna, mais forte e à altura do sacrifício dos nossos polícias e do povo de Namicopo. Uma esquadra que devolve segurança, dignidade e esperança a esta comunidade.»
O tom não foi apenas de festa. Havia luto por trás das paredes novas. «Foi aqui neste mesmo solo, que perdemos um Oficial da Polícia da República de Moçambique, um filho desta pátria que tombou no cumprimento do dever. Foi aqui que foi queimada uma viatura Mahindra da PRM, símbolo do ataque directo às instituições do Estado», recordou o governador, evocando a morte do agente e a destruição de bens públicos no local.


