A modernização das forças de segurança de Cabo Verde entra numa nova etapa. O arranque da terceira fase do projecto Cidade Segura, financiado pela China, prevê um investimento de cerca de 74 milhões de renminbi — perto de 9,3 milhões de euros — destinado a reforçar as capacidades tecnológicas e operacionais das autoridades e a apoiar a investigação criminal.
O acordo de implementação foi assinado no Centro de Comando da Polícia Nacional, na Praia. Rubricaram o documento o ministro da Administração Interna, Carlos Sena, e o embaixador da República Popular da China, Zhang Yang. O financiamento inscreve-se na assistência não reembolsável acordada entre os dois governos.
Para o diplomata chinês, esta etapa traduz um dos resultados da Cimeira do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), realizada em 2024 em Pequim, no quadro da parceria para o desenvolvimento proposta pelo Presidente Xi Jinping. Zhang Yang atribuiu «grande importância» ao projecto no aprofundamento da cooperação bilateral em matéria de aplicação da lei e de segurança, com efeitos na estabilidade social, no desenvolvimento sustentável e na paz duradoura do arquipélago.
«É mais uma manifestação concreta e expressiva do aprofundamento e da consolidação da cooperação amistosa entre a China e Cabo Verde», declarou o embaixador. A representação diplomática chinesa, acrescentou, quer continuar a enriquecer a parceria estratégica e fazer com que ela gere «maiores benefícios» para os dois povos.
Do lado cabo-verdiano, Carlos Sena descreveu a assinatura como mais um passo na modernização da segurança interna. O responsável sublinhou que o Cidade Segura não se esgota na colocação de câmaras: é uma infra-estrutura integrada de segurança pública. Nas fases anteriores, recordou, os meios instalados já permitiram à Polícia Nacional melhorar a prevenção e a resposta, acompanhar ocorrências em tempo real e apoiar os processos de investigação.
«A tecnologia, inteligência policial, proximidade e presença operacional devem caminhar conjuntamente», resumiu o ministro.
O que muda agora. A terceira fase alarga infra-estruturas e meios tecnológicos por todo o país, com novos centros de comando, centros de dados e estações de base para comunicações sem fios em Assomada, no Tarrafal de Santiago e no Porto Novo. Reforça ainda o dispositivo já montado na Praia e no Mindelo. A rede de videovigilância será ampliada, para elevar a capacidade de monitorização e de intervenção das forças de segurança.
O Governo cabo-verdiano garantiu, na cerimónia, as condições para executar esta fase, ao passo que Pequim reafirmou a disponibilidade para continuar a apoiar o país no domínio da segurança interna. De acordo com a agência noticiosa ANG, que citou fonte das duas partes, o acordo marca mais um momento numa relação que este ano completa cinco décadas — meio século de laços diplomáticos que Cabo Verde e a China querem agora aprofundar em áreas tidas como prioritárias.


