A produção autónoma de oxigénio medicinal deixou de ser uma promessa no norte da Zambézia. Um novo equipamento, capaz de encher cerca de dez cilindros por dia, entrou ao serviço do Hospital Distrital de Mocuba, doado pelo governo dos Estados Unidos da América. É a primeira vez que a unidade dispõe de um serviço deste tipo.
A diferença sente-se junto ao leito. O sistema interno — a chamada rampa — liga-se a todas as enfermarias e permite que o doente receba tratamento sem sair da cama, algo impensável há pouco tempo. Segundo o jornal Ikweli, a capacidade instalada da máquina é superior à produção actual, ainda que uma peça avariada limite, para já, o abastecimento externo. Para consumo interno, porém, o funcionamento mantém-se.
«Esta máquina representa um importante ganho para o nosso hospital e não só», afirmou o director-geral da unidade, Adelino Joaquim Sabonete. O responsável recordou que, antes das dificuldades técnicas, o hospital chegou a abastecer todos os distritos da zona norte da província a partir de Mocuba.
Mas o oxigénio não é o único avanço. Abriu portas uma enfermaria dedicada ao tratamento da tuberculose multirresistente — a única existente em toda a zona norte da Zambézia. Até aqui, quem precisava deste acompanhamento tinha de rumar a Quelimane. Agora, fica.
Os serviços de ortopedia e fisioterapia também cresceram. Realizam-se correcções do pé boto, uma deformidade congénita, e efectuam-se intervenções cirúrgicas consoante a gravidade de cada caso; os mais complexos continuam a ser encaminhados para o Hospital Central de Quelimane. Sabonete deixou ainda um apelo à comunidade: estes bens, sublinhou, «não pertencem ao Governo, pertencem ao nosso povo». Pediu que os utentes ajudem a preservar o material doado e agradeceu à organização muçulmana de Quelimane o apoio prestado na construção da sala de TAC.
Do lado de quem usa o hospital, o balanço é positivo. Salvador Armando, paciente e residente em Mocuba, lembrou ao Ikweli os tempos em que era preciso viajar até Quelimane ou Nampula para obter cuidados que hoje se resolvem mais perto de casa. «É gratificante ver o trabalho que está a ser realizado», resumiu.


