Uma segunda oportunidade abre-se para os jovens que deixaram a escola antes de concluir o ensino secundário. O Ministério da Educação de Timor-Leste pôs em marcha um programa de ensino de equivalência na Escola do Ensino Secundário Técnico-Vocacional-Comércio (ESTV-Comércio), no bairro de Bekora, em Díli. O objectivo é directo: permitir que quem interrompeu o percurso escolar o possa retomar e chegar ao fim.
Trata-se de um projecto-piloto. Domingos Lopes Lemos, secretário do Ensino Secundário Geral e Técnico-Vocacional no ministério, apresenta a iniciativa como uma prioridade do sector, sem limites de idade nem de condição social. «Com este programa, o Ministério da Educação lança um projecto-piloto de ensino de equivalência na ESTV-Comércio de Bekora, no posto administrativo de Cristo-Rei, permitindo que os jovens que abandonaram o secundário possam retomar os estudos», afirmou, em declarações citadas pelo semanário The Dili Weekly.
Por que razão tantos ficam pelo caminho? A explicação avançada combina dificuldades económicas, familiares e profissionais — e, muitas vezes, o embaraço de voltar aos bancos da escola já com uma idade avançada. O programa quer contrariar precisamente isso. E não parte do zero: «Já existiam 118 centros comunitários em todo o território, que davam formação aos jovens fora do sistema e lhes permitiam obter certificados para prosseguir os estudos secundários», recordou Lemos. Esses centros estavam parados há vários anos.
É essa rede adormecida que o ministério agora pretende reactivar, tendo a ESTV-Comércio como ponto de partida. Quem concluir o percurso não fica a meio caminho. «Os jovens que participam neste programa de equivalência obtêm um certificado que lhes permite prosseguir para a universidade», sublinhou o secretário de Estado. Muitos jovens adultos timorenses interromperam a formação por razões económicas, familiares, profissionais ou sociais, e a medida devolve-lhes o direito de aprender — um ganho para eles, para as famílias e para o país.
Do lado da sociedade civil, a leitura é convergente. José Monteiro, secretário nacional da Rede Edukasaun Timor-Leste Coalition for Education (TLCE), enquadra o programa como continuação dos trabalhos de alfabetização já em curso. As inscrições, aliás, já arrancaram. «Neste momento já começou o registo dos estudantes que pretendem continuar no ensino de equivalência ao secundário», indicou.
Falta vencer o obstáculo do costume: o orçamento. Monteiro reconhece o esforço do ministério para alargar o acesso à educação, mas aponta as contas como o principal desafio. A ambição, essa, ultrapassa a capital. «Esperamos que o arranque do programa corra bem, sem novas dificuldades, e que não fique apenas em Díli — tem de chegar aos municípios», concluiu.


