A recolha diária de materiais numa lixeira transformou-se no principal sustento de cerca de cinquenta pessoas no suku de Tibar, em Timor-Leste. Separam garrafas de plástico. Juntam latas e cartão. E vendem o que conseguem a empresas da zona, num esforço que garante o pão de cada dia e afasta o lixo de quem ali vive.
Situado no posto administrativo de Bazartete, no município de Liquiça, o suku encontrou na separação de resíduos uma alternativa de rendimento. O chefe do suku, Marcelino Ananias Corea Lemos, explica que meia centena de moradores participa nesta actividade, com o objectivo de reaproveitar e revalorizar o que outros deitam fora. «Este espaço é entendido como um local de lixo, mas é possível procurar aqui meios de subsistência. Além de ser uma fonte de rendimento, é importante impedir que se torne prejudicial à saúde», sublinhou.
Duas empresas instaladas nos arredores de Pantai Kelapa e Tasi Tolu compram com regularidade os materiais recolhidos, segundo o jornal The Dili Weekly. «Nos últimos tempos, estas duas empresas têm adquirido os materiais recicláveis da nossa comunidade. Ajudam a garantir que continuamos a obter rendimentos com esta actividade», acrescentou o responsável.
O trabalho é diário e minucioso. Um trabalhador, que preferiu não ser identificado, descreve uma rotina feita de triagem — garrafas de plástico, latas, cartão, tudo separado à mão para revenda. «Nem sempre conseguimos vender todos os dias. Depende do horário em que as empresas vêm comprar», contou.
O rendimento é modesto. Cada quilo de material reciclável vale cerca de 0,50 dólares e, numa semana, a colecta rende habitualmente entre 5 e 6 dólares. «O que ganhamos com a venda de latas e garrafas serve para as necessidades quotidianas, como a escola dos nossos filhos e a alimentação», explicou o mesmo trabalhador. Apesar dos ganhos reduzidos, a comunidade de Tibar considera a lixeira uma fonte vital de subsistência — prova de que, mesmo entre resíduos, há quem construa um meio de vida.


