A dimensão da habitação e um preço ou renda comportável estão no topo das prioridades dos agregados familiares na hora de escolher onde viver no Luxemburgo. Foram os critérios mais assinalados num estudo do Observatoire de l’Habitat: 86% dos inquiridos consideraram o tamanho do alojamento — área e número de quartos — importante ou muito importante, e 84% apontaram o custo acessível. Logo a seguir surgem a existência de um lugar de estacionamento (81%) e a exposição solar e luminosidade da casa (80%).
O peso atribuído ao estacionamento diz mais do que parece. Traduz um apego persistente — quando não uma dependência — do automóvel, num país onde boa parte da população continua a organizar o quotidiano em torno do carro. E os espaços verdes? A proximidade de campos e zonas naturais foi valorizada por 75% dos inquiridos, mas isso não significa que procurem bairros de baixa densidade: apenas 46% classificaram esse aspecto como relevante. Querem verde à porta, sem abdicar da vida urbana.
As prioridades mudam com a idade. Entre as pessoas com 56 anos ou mais, 70% valorizam viver numa moradia; entre os jovens adultos, dos 19 aos 35 anos, a percentagem cai para 41%. Estes últimos privilegiam a localização prática — 75% querem um bairro bem servido por transportes públicos e próximo do emprego, contra 65% dos mais velhos. O preço comportável, esse, atravessa todas as gerações: mais de 80% em cada escalão etário classificam-no como decisivo, com os mais novos a sentirem a pressão orçamental de forma particularmente aguda.
O estatuto de ocupação abre outra clivagem. 62% dos proprietários procuram uma moradia, contra apenas 29% dos arrendatários, que se concentram sobretudo no preço e na dimensão. Já a composição do agregado revela o maior contraste de todos: 28% das pessoas que vivem sozinhas consideram muito importante habitar numa casa, valor que sobe para 70% entre os casais com dois filhos ou mais. A moradia com jardim continua, no imaginário familiar, a ser o destino.
A geografia também conta. De entre os cantões luxemburgueses, o do Luxemburgo destaca-se claramente: os seus residentes são os que mais valorizam viver num bairro animado e bem situado, perto do trabalho, dos transportes e dos serviços. Nos cantões mais rurais — Vianden, Capellen, Redange, Clervaux —, a preferência inverte-se a favor da moradia com jardim, junto a espaços verdes.
Ao classificar o que anunciam, promotores e agências desenham um retrato parcialmente diferente. A análise de cerca de 15.000 anúncios imobiliários publicados em 2025 mostra que o terraço, a varanda ou a loggia ocupam lugar central: aparecem em 70% dos anúncios de venda de apartamentos, em 50% dos de venda de moradias e em 70% dos de arrendamento de moradias. O estacionamento segue padrão idêntico. Nos apartamentos para arrendar, porém, as descrições resumem-se muitas vezes ao preço e à área — sinal de que moradias e apartamentos disputam inquilinos de perfis distintos.


