Uma nova plataforma digital vai reorganizar, em torno das competências, o modo como candidatos, empregadores e formações se encontram no mercado de trabalho luxemburguês. O primeiro passo já foi dado. O Centro das Tecnologias da Informação do Estado (CTIE) lançou um concurso público, sob a forma de diálogo concorrencial, para desenvolver a ferramenta que substituirá, a prazo, o actual JobBoard da ADEM — hoje com perto de 7.000 postos por preencher.
Porquê agora? O mercado de trabalho no Grão-Ducado atravessa transformações que tornam cada vez mais delicado o encontro entre quem procura e quem oferece competências. Cerca de 20.000 candidatos residentes estão inscritos na ADEM e mais de 42.000 pessoas inscreveram-se ao longo de 2025. Ao mesmo tempo, vários sectores continuam a debater-se com sérias dificuldades de recrutamento. Só em junho de 2026 foram declarados mais de 3.100 novos postos vagos, uma subida de 7,2% face ao mesmo período do ano anterior.
A esta pressão soma-se uma alteração de fundo. A revisão do regulamento europeu n.º 883/2004, relativo à coordenação dos sistemas de segurança social, prevê que os trabalhadores fronteiriços passem a ser acompanhados e indemnizados pelo último país onde exerceram funções, e já não pelo país de residência. Para o Luxemburgo, onde quase um em cada dois empregos é ocupado por um fronteiriço, a mudança é estrutural. O país beneficia de um período transitório mais longo do que os restantes Estados-membros, mas prepara-se desde já. «É crucial tornar autónomos aqueles e aquelas que o podem ser graças ao digital, para concentrarmos mais recursos nas pessoas que necessitam de um acompanhamento personalizado», afirma Isabelle Schlesser, directora da ADEM. A responsável antecipa que a reforma implicará «uma duplicação das nossas actividades nos próximos anos».
A viragem digital não começa agora. Desde o início do ano, os pedidos de subsídio de desemprego são feitos em linha, através do MyGuichet.lu, e cada candidato pode seguir o seu processo num espaço pessoal dedicado. Os resultados já se notam: 85% dos pedidos de subsídio são hoje submetidos de forma autónoma. A quota de inscrições realizadas via MyGuichet.lu subiu de 23% em 2023 para 41% em 2026. Do lado das empresas, as declarações de postos vagos feitas manualmente recuaram de 67% para 47% em apenas dois anos. Em paralelo, decorrem trabalhos com a empresa Mistral AI, no âmbito da iniciativa governamental «Flagship for Skills».
O objectivo declarado vai além de um portal de anúncios. A futura plataforma pretende aproximar três dimensões que ainda são tratadas em separado: os perfis dos candidatos, as ofertas de emprego e as formações. «A ambição não é criar mais um site de ofertas de emprego — a oferta já existe no mercado luxemburguês», sublinha Ramazan Yuksel, Digital Channel Manager da ADEM. O propósito, explica, é ajudar cada pessoa a identificar as suas competências, a compreender melhor o seu perfil e a encontrar as ofertas e as formações que realmente lhe correspondem, facilitando também aos empregadores a ligação aos perfis adequados.
O concurso foi já publicado e as candidaturas podem ser apresentadas até 28 de setembro. O recurso ao diálogo concorrencial permitirá confrontar diferentes abordagens técnicas e funcionais antes de fixar a solução mais ajustada às necessidades do projecto. A primeira entrada em funcionamento está prevista a partir de 2028.


