Cores intensas, formas dinâmicas e paisagens de contornos futuristas passaram a cobrir a fachada do Lëtzebuerg City Museum. A intervenção assinala a 26.ª edição do projecto LE MUR Luxembourg, que há vários anos converte paredes da capital em telas de grande formato para a arte urbana.
A autoria pertence a Didier Mathieu, que o mundo do graffiti conhece por JABA. Nascido na Colômbia, instalou-se na Bélgica ainda adolescente e é hoje uma das referências incontornáveis do street art belga. Formou-se no Institut Saint-Luc, em Liège.
O seu imaginário bebe de várias fontes. Banda desenhada, manga, ficção científica, mundos por vir — tudo cabe num registo onde a cor domina e as formas raramente ficam quietas. As paisagens que compõe são inventadas, mas nunca gratuitas: há método por trás de cada explosão cromática.
A par das ruas e das galerias, onde as suas obras circulam, Mathieu construiu também um percurso no cinema. Trabalhou como concept artist numa filial da Lucasfilm Ltd sediada em Singapura e colaborou em produções de projecção internacional. Essa bagagem nota-se. Alimenta a carga narrativa de cada peça e ajuda a explicar um reconhecimento que há muito extravasou as fronteiras belgas.
O vernissage teve lugar com o artista presente e ao lado de Charles Delogne, embaixador da Bélgica no Luxemburgo. Nascido de uma iniciativa da associação I Love Graffiti asbl e apoiado pela Cidade do Luxemburgo, o LE MUR Luxembourg já reuniu uma longa lista de nomes convidados a marcar o espaço público, edição após edição.


