A urgência de converter o potencial estratégico do continente africano em resultados tangíveis, através do investimento, da inovação e da inclusão, marcou a intervenção do Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, no Caucus Africano 2026, que decorre em Bijilo, na Gâmbia. Segundo a Agência de Notícias da Guiné (ANG), que cita informação divulgada pela Embaixada da Guiné-Bissau na Gâmbia, o governante afirmou que África atravessa um «momento decisivo» face a um panorama internacional de volatilidade e restrições financeiras, instando os Estados-membros a reactivar o espírito da Declaração de Bangui de 2025.
O chefe do Governo guineense interveio como orador convidado de honra na abertura da sessão de terça-feira, segundo dia de trabalhos do encontro, sucedendo à alocução do empresário nigeriano Aliko Dangote. «Devemos passar da visão à implementação. A transformação económica de África exige uma combinação estratégica de investimento, inovação e inclusão, apoiada por uma mobilização robusta de recursos internos», declarou. Para Ilídio Vieira Té, o roteiro do desenvolvimento africano deve priorizar a diversificação económica, o fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas e a consolidação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), de modo a fixar cadeias de valor regionais e industrializar os recursos naturais locais. No plano bilateral, endereçou um agradecimento ao Presidente gambiano, Adama Barrow, bem como ao Governo e ao povo da Gâmbia, enaltecendo a hospitalidade e a organização do encontro como reflexo do compromisso de Banjul com a integração e a cooperação interafricana.
Perante a assembleia, o Primeiro-Ministro partilhou os progressos macroeconómicos recentes da Guiné-Bissau, apontando o país como exemplo de resiliência e eficácia governativa perante choques externos. Destacou a conclusão com sucesso da 11.ª avaliação do programa assistido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e reafirmou o empenho de Bissau na consolidação fiscal, na redução do défice e no alinhamento da dívida pública com os critérios de convergência da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA). Mesmo num quadro de preços elevados dos combustíveis no mercado internacional, assegurou que o executivo guineense logrou garantir a estabilidade do abastecimento interno e proteger as finanças públicas mediante uma monitorização rigorosa e uma gestão prudente.
Na vertente da arquitectura financeira global, o governante defendeu uma reforma institucional e uma cooperação mais ambiciosa com o FMI e o Grupo Banco Mundial, reclamando o acesso a mecanismos de financiamento mais previsíveis e adaptados às debilidades orçamentais dos países africanos, a par de assistência técnica direccionada para a transição digital e energética e para a modernização tributária. A encerrar, sublinhou que a sustentabilidade de qualquer reforma económica depende do investimento no capital humano e na formação da juventude africana, de forma a transformar o dividendo demográfico no principal motor de prosperidade, e reafirmou o alinhamento inabalável da Guiné-Bissau com a agenda de unidade africana, em prol de um continente mais competitivo, integrado e resiliente. Ilídio Vieira Té encontra-se em visita de trabalho à Gâmbia entre os dias 5 e 8 de julho, para participar na Reunião Anual dos Governadores Africanos do FMI e do Banco Mundial – Caucus 2026.


