O reforço da capacidade hospitalar, a redução dos tempos de espera para exames de imagiologia e o avanço do modelo ambulatório definem a actual fase de transformação do sector da saúde no Grão-Ducado, segundo o retrato detalhado apresentado na nova edição da Carte sanitaire, o levantamento bienal elaborado pelo Observatório Nacional da Saúde (ObSanté). O documento reúne o inventário das estruturas e equipamentos hospitalares e um balanço da actividade e das taxas de utilização, com o objectivo de fornecer dados objectivos para o planeamento hospitalar, garantir a transparência da oferta de cuidados, analisar tendências e permitir comparações, e responder às obrigações de reporte internacional perante a OMS, o Eurostat e a OCDE.
Em 2025, o Luxemburgo conta com dez hospitais, dos quais quatro centros hospitalares distribuídos por onze locais — incluindo dois espaços dedicados aos cuidados ambulatórios — e seis estabelecimentos hospitalares especializados, a que se juntam uma unidade de acolhimento para pessoas em fim de vida, um estabelecimento termal e um centro de diagnóstico. A capacidade de internamento situa-se em 2.686 camas, das quais 2.058 são camas de agudos, o equivalente a 96,6 % das camas autorizadas em 2024. Este número traduz-se num rácio de 3,9 camas por 1.000 habitantes, contra 4,0 em 2023, sendo 3,0 referentes a camas de agudos. O internamento em hospital de dia mantém a sua trajectória de crescimento, com 631 camas instaladas.
No que respeita ao parque tecnológico, todos os equipamentos sujeitos a planeamento nacional estavam instalados a 1 de julho de 2025, com excepção de um osteodensitómetro. No domínio da imagiologia médica contam-se treze tomógrafos computorizados (menos dois do que em 2023), treze aparelhos de ressonância magnética (mais um), oito câmaras gama, oito mamógrafos (mais um) e dois equipamentos PET (mais um). As alterações legislativas aprovadas a 19 de dezembro de 2025 vêm reforçar estas capacidades: o número máximo de camas autorizáveis sobe para 3.545, das quais 2.545 de agudos, um acréscimo de 8,5 %. A 1 de janeiro de 2026 encontravam-se autorizadas 2.813 camas de internamento — 2.151 de agudos, 575 de médio internamento e 87 de cuidados continuados — além de 759 camas de hospital de dia. Em paralelo, os recursos humanos do sector cresceram de forma sustentada: entre 2014 e 2025, o número de médicos hospitalares aumentou 43,7 %, passando de 1.047 para 1.505, enquanto o total de trabalhadores do sector hospitalar subiu 24,9 %, de 8.438 para 10.413.
Os dados de actividade relativos a 2023 mostram 151.617 internamentos nos centros hospitalares, correspondentes a 633.612 dias de internamento e a uma taxa de ocupação de 76,3 %. O crescimento foi impulsionado sobretudo pelo hospital de dia, que já representa 48,4 % dos internamentos e regista um aumento médio anual de 4,3 %. O virar ambulatório continua a consolidar-se: a taxa de cirurgia ambulatória nos actos de referência passou de 68,5 % em 2019 para 75,8 % em 2023. A duração média dos internamentos com pernoita manteve-se estável em 7,2 dias. As principais causas de internamento estacionário foram as afecções musculosqueléticas (17,2 %), seguidas dos episódios ligados à gravidez, ao parto e ao puerpério (10,9 %), às doenças do aparelho respiratório (8,8 %), digestivo (8,4 %) e circulatório (8,3 %), grupos que, no conjunto, representam mais de metade dos internamentos (53,6 %).
A oferta hospitalar nacional confirma igualmente a sua dimensão transfronteiriça. Em 2023, os segurados não residentes representaram 10,4 % do total de internamentos e, em 2024, 17,4 % dos partos em maternidade, sendo expressivo o seu recurso à imagiologia médica, à fecundação in vitro e aos cuidados urgentes e não programados. Nos serviços de urgência, os primeiros dados disponíveis apontam para 268.683 atendimentos em 2024 — uma média de 734 por dia —, dos quais 28,6 % respeitaram a doentes em idade pediátrica e 10,1 % a pessoas com 75 ou mais anos, representando os não residentes 13,2 % das passagens. Em 76,2 % dos casos, a triagem foi realizada nos dez minutos seguintes à admissão, situando-se em 180 minutos a duração média entre a entrada e a saída da urgência; 13,5 % dos atendimentos culminaram num internamento.
O crescimento da imagiologia médica destaca-se como uma das tendências mais marcantes. Entre 2021 e 2024, a actividade global progrediu 14,7 %, com os exames de ressonância magnética a aumentarem 27,2 % e os de PET 39,7 %. O número de mamografias realizadas no país subiu 14,2 % entre 2023 e 2025, de 46.837 para 53.046, cabendo ao programa de rastreio organizado 51,8 % do total. Apesar desta procura crescente, o acesso melhorou de forma sensível: o prazo mediano para uma mamografia de rastreio caiu de 56 dias em janeiro de 2023 para cerca de 25 dias em 2025, e a proporção destes exames realizados em menos de quinze dias mais do que duplicou, de 20,8 % para 43,0 %. No caso da ressonância magnética em ambulatório, os exames programados cresceram 38,9 %, de 78.199 para 108.588, mantendo-se a maioria dentro do prazo de 60 dias. Já a tomografia computorizada passou de 171.700 exames em 2023 para 194.658 em 2025, com o Luxemburgo a registar 283 exames por 1.000 habitantes, valor bem acima da média da OCDE, de 180. Esta evolução favorável reflecte a entrada em funcionamento de novos equipamentos e o alargamento dos horários de utilização. Disponível em linha num formato interactivo, com tabelas e gráficos descarregáveis, a Carte sanitaire é elaborada e actualizada de dois em dois anos, ao abrigo da lei de 8 de março de 2018, relativa aos estabelecimentos hospitalares.


