O reforço da vigilância nas fronteiras da Guiné-Bissau contra a fuga da castanha de caju ganhou um novo apoio logístico com a distribuição de géneros alimentares aos efectivos destacados nos postos de controlo. Óleo, produtos enlatados, caldo de galinha e arroz foram entregues aos fiscais e inspectores que asseguram a fiscalização nas zonas fronteiriças, numa medida destinada a garantir melhores condições de trabalho a quem combate a exportação ilegal do produto considerado o principal recurso económico do país.
Trata-se da segunda vez que estes profissionais recebem produtos de primeira necessidade, segundo o Inspector-geral do Comércio, Carlos Manuel Biagué. Em declarações citadas pela Agência de Notícias da Guiné, o responsável precisou que, além dos fiscais e inspectores do comércio, também os agentes da Guarda Nacional, os militares e os membros da Brigada de Acção Fiscal beneficiam da iniciativa. Estes efectivos mantêm, dia e noite, uma luta contínua contra o contrabando da castanha para países vizinhos, sobretudo para o Senegal.
«Estamos a fazer este gesto com o objectivo de se alimentarem muito bem para poderem trabalhar melhor e para poderem lutar contra a fuga da castanha de caju nas fronteiras. Todos nós sabemos que este produto é considerado o ‘Ouro’ da Guiné-Bissau. Sendo o principal produto de exportação, tem que ser protegido», sublinhou Biagué. O Inspector-geral reafirmou ainda uma política de «tolerância zero» face ao contrabando, apelando ao redobrar dos esforços nas fronteiras e à disponibilidade do Governo para apoiar no que for necessário.
A par do reforço alimentar, as autoridades têm intensificado as operações de fiscalização e apreensão. «Quem tentar desafiar esta lei será preso, o produto será confiscado, assim como os meios de transporte utilizados para levar a castanha», advertiu o responsável, dando conta da apreensão de três toneladas de castanha em Cambadju e de cerca de cinquenta sacos do mesmo produto em Ingoré. De acordo com a Agência de Notícias da Guiné, encontram-se já em Bissau, para exportação, 215 mil toneladas de castanha, das quais cerca de 70 mil toneladas foram entretanto escoadas, em parte graças à drenagem do porto de Bissau, que passou a permitir a atracação simultânea de duas embarcações.


