Até seis projectos de curta-metragem vão poder integrar um laboratório intensivo de desenvolvimento cinematográfico que dará formação prática em escrita, produção, pitch e distribuição, com vista à preparação de obras para os mercados internacionais. As candidaturas à primeira edição do FilmLab Cabo Verde abriram ontem e prolongam-se até 22 de julho, segundo informação avançada pelo Expresso das Ilhas.
A iniciativa, que decorrerá presencialmente na Cidade da Praia entre 6 e 16 de outubro de 2026, é promovida pela Rede de Cinema e Audiovisual PALOP + TL e implementada pela Ekran Eventos, em colaboração com o Kafuka — Festival de Cinema Africano 2026. O projecto conta com o financiamento da Cooperação Portuguesa — Camões I.P., através do programa PROCERIS. Destina-se a jovens realizadores e profissionais do audiovisual dos países africanos de língua oficial portuguesa e de Timor-Leste, com especial enfoque em Cabo Verde, que estejam a desenvolver uma curta-metragem e pretendam fortalecer a sua visão autoral.
Ao longo do laboratório, os participantes adquirirão ferramentas práticas para a preparação de pitches, angariação de fundos e distribuição de obras cinematográficas, além de explorarem estratégias de apresentação de projectos a nível internacional e modelos empreendedores de divulgação. O programa assume um compromisso explícito com a igualdade de género e a valorização de vozes diversas, privilegiando que, no mínimo, metade das candidaturas provenha de mulheres e pessoas não-binárias. Os projectos seleccionados poderão ainda ser escolhidos para integrar a Agência de Curtas-metragens PALOP, alargando o seu alcance regional e internacional.
Serão admitidos projectos de ficção, não-ficção ou de carácter híbrido, com uma duração prevista entre os 10 e os 30 minutos, em qualquer fase do processo — desde o desenvolvimento à distribuição, passando pela pré-produção, produção e pós-produção. A organização dá preferência a obras que abordem temáticas ligadas aos direitos fundamentais, à sustentabilidade ambiental e a questões sociais relevantes. Podem concorrer realizadores com idades entre os 18 e os 35 anos, nacionais dos PALOP e de Timor-Leste, residentes na ilha de Santiago.
O percurso está organizado em duas fases. A primeira consiste numa residência presencial de dez dias intensivos na Cidade da Praia, durante a qual os participantes trabalharão directamente com mentores internacionais, reforçando a escrita e a estrutura dos seus projectos, desenvolvendo estratégias de produção e financiamento, aperfeiçoando técnicas de pitch e preparando uma apresentação final. A segunda fase decorrerá em regime online, com sessões de acompanhamento, feedback especializado e orientação estratégica para o desenvolvimento e a circulação das obras. O regulamento prevê ainda uma salvaguarda: «Caso não sejam recebidas propostas com qualidade que correspondam a todos os critérios dos beneficiários, o júri poderá seleccionar outros projectos candidatos.»


