A criação de uma organização internacional vocacionada para a cooperação em inteligência artificial entrou numa fase de aceleração, com Pequim a deixar em aberto a porta à adesão de todos os países dispostos a colocar esta tecnologia ao serviço do bem comum. Os preparativos para a futura Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial foram apresentados esta quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, que reafirmou a vontade de associar o maior número possível de parceiros a este projecto.
As declarações foram proferidas no âmbito da divulgação de um livro branco intitulado «Uma governação global mais justa e equitativa: princípios, propostas e acções da China», documento que sistematiza a visão de Pequim sobre o funcionamento das instituições internacionais. Questionado sobre o reforço da governação mundial da inteligência artificial, o vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zhou Haibing, defendeu que o país tem promovido de forma activa a cooperação internacional neste domínio, num quadro assente no multilateralismo, na abertura e na inclusão, contribuindo com propostas próprias para o desenvolvimento da chamada era inteligente.
Ainda em Julho, Xangai voltará a acolher a Conferência Mundial de Inteligência Artificial e a reunião de alto nível sobre governação global da IA, um encontro que, segundo o China Daily, deverá aprofundar a articulação entre Estados. Pequim recordou ter lançado a Iniciativa Global de Governação da Inteligência Artificial e manifestou apoio ao papel das Nações Unidas como principal canal de regulação desta tecnologia, sublinhando a importância de alinhar estratégias, regras e normas técnicas a uma escala alargada.
No plano da cooperação prática, foram destacadas acções regulares de intercâmbio e de formação destinadas a ajudar os países em desenvolvimento a superar carências em matéria de tecnologia, talento e capacidade de governação, reduzindo assim o fosso global no acesso à inteligência artificial. Essa colaboração tem sido reforçada através de plataformas multilaterais como a Organização de Cooperação de Xangai e os mecanismos do grupo BRICS, a par da aposta num ecossistema aberto e de código aberto que favoreça a partilha de avanços tecnológicos. Rejeitando modelos de desenvolvimento fechados e exclusivos, bem como os monopólios tecnológicos, a China afirmou estar empenhada na construção de um quadro de cooperação internacional aberto, inclusivo e de benefício mútuo.


