Uma das maiores operações antidroga alguma vez concretizadas em território moçambicano resultou na apreensão de 3,7 toneladas de fentanil, uma substância sintética de elevadíssimo potencial destrutivo, escondida nos armazéns de uma empresa privada no Aeroporto Internacional de Maputo. A dimensão da carga e o modo como foi dissimulada apontam para a actuação de uma rede de tráfico internacional, num caso que reacende o alarme sobre a utilização do país como plataforma de redistribuição de estupefacientes.
A operação foi conduzida pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) no terminal de carga do aeroporto da capital. A droga encontrava-se acondicionada em cinquenta caixas, cada uma com trinta pacotes de cerca de 2,2 quilogramas, perfazendo um total de 1500 embalagens declaradas, à entrada, como multivitaminas. As análises químico-forenses vieram, porém, revelar que o conteúdo era uma droga sintética composta por difenidramina e fentanil, classificada como ilícita e altamente perigosa.
No seguimento das diligências, segundo avança o Jornal Notícias, foram detidos dois indivíduos suspeitos de serem os receptadores da carga, um de nacionalidade moçambicana e outro de nacionalidade nigeriana, com 50 e 70 anos de idade, respectivamente. As autoridades indicam que o cidadão moçambicano terá identificado o destinatário e proprietário da droga como sendo o cidadão nigeriano, também já sob custódia, e prosseguem agora os trabalhos de investigação destinados a desmantelar por completo a estrutura criminosa.
O porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, sublinhou que esta apreensão representa um marco importante no combate ao narcotráfico, recordando que o fentanil é uma substância mais potente do que a heroína, a morfina e a cocaína, com efeitos devastadores para a saúde de quem o consome. O episódio surge cerca de um ano depois de outra grande operação no mesmo aeroporto, em 2024, quando foi confiscada perto de 1,5 tonelada de cocaína engenhosamente camuflada em caixas que imitavam rebuçados. A reincidência de casos desta natureza tem reforçado a prioridade conferida pelas autoridades moçambicanas ao combate ao tráfico de drogas, dadas as crescentes repercussões sociais e de saúde pública que o fenómeno acarreta.


